Troféu Falange | Os Melhores Filmes de 2017 – Parte 2

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Vinheta do Professor LumièreOlá de novo, queridas e queridos membros da Falange! Aqui quem fala é o Professor Lumière e hoje darei continuidade à listagem dos Melhores Filmes de 2017. Os cinco melhores filmes vencedores do Troféu Falange serão revelados logo abaixo, mas se você não viu os que ficaram do 6º ao 10º lugar é só clicar aqui. Vamos adiante que o ano já acabou e a temporada de filmes de 2018 já está aberta!

Melhores Filmes de 2017 | Parte 2

#5 | mãe!

Melhores Filmes de 2017 mostra Jennifer Lawrence de frente para a parede em mãe!Se você assistiu mãe!, dificilmente saiu da sala de cinema indiferente. Ame ou odeie, o filme fez o papel que uma obra de arte deve fazer: causar reações. Algumas bem desgostosas, outras apaixonadas. Pra mim, mãe! não é o melhor filme do ano e definitivamente nem é o melhor da década. Mas desde quando fazer uma história em forma de alegoria – mesmo que óbvia – é um demérito?

mãe! é eficiente em criar tensão e durante os momentos em que o espectador não entende muito bem o que está acontecendo, é um ótimo exercício de análise de elementos para tentar entender a história que Darren Aronofsky está tentando contar. Em última instância, se as alegorias não te agradaram, o filme ainda oferece duras críticas à religião e à figura divina criada pelo cristianismo. E se você quiser ignorar tudo isso, o longa ainda pode ser visto como o doloroso processo criativo pelo qual um artista passa. E eu nem vou mencionar a violência contra a mulher, que também é um dos possíveis temas. Seja qual for o ângulo pelo qual você olhar, mãe! tem algo interessante a oferecer. Mas se nada disso funcionou para você, é possível que você tenha sido vítima do material de divulgação, como a Mãe (da Falange) discutiu aqui. Mas uma coisa é certa: mãe! tirou todos os espectadores de sua zona de conforto, e esse mérito é suficiente para incluí-lo em qualquer lista de melhores filmes de 2017.

#4 | A Qualquer Custo

Esse lugar na verdade estava reservado para Terra Selvagem (Wind River, 2017), thriller dirigido por Taylor Sheridan, esse cara que escreveu nada menos que Sicario: Terra de Ninguém (Sicario, 2015). Mas, por melhor que seja Terra Selvagem, tive alguns problemas com o terceiro ato e os relatei aqui. Felizmente, A Qualquer Custo estreou no Brasil durante a temporada do Oscar e ficou guardado para salvar o dia dos melhores filmes de 2017 em caso de emergência. A trama acompanha dois irmãos que decidem sair pelo Texas fazendo assaltos a bancos para compensarem a dívida acumulada pela família em um rancho que possuem.

A Qualquer Custo é, antes de tudo, um thriller muito eficiente que traz uma nova onda de tensão a cada novo assalto a banco, uma vez que a dupla formada por Chris Pine e Ben Foster está sendo seguida de perto por dois policiais (Jeff Bridges e Gil Birmingham). A trama de gato e rato culmina em uma perseguição dos policiais acompanhados de vários moradores do Texas aos dois criminosos que é a minha sequência de ação favorita do ano. Como se não fosse o bastante, o filme faz ainda uma eficiente crítica ao sistema bancário, que se dedica a fazer seus clientes se tornarem devedores para lucrar com os juros. O ótimo final deixa claro que, concorde você ou não com o capitalismo cruel, ele faz vítimas por todos os lados.

#3 | Doentes de Amor

Imagem para os Melhores Filmes de 2017 mostra Kumail Nanjiani e Zoe Kazan deitados em um sofá em uma cena de Doentes de AmorA terceira melhor surpresa entre os melhores filmes de 2017 foi também o grande queridinho da crítica especializada desde sua estreia em Sundance, no começo do ano. Já falei extensamente sobre o filme nessa resenha, mas a paixão é tanta que vou falar mais um pouco. O primeiro grande mérito de Doentes de Amor é pegar um dos gêneros mais previsíveis do cinema – a comédia romântica – e subverter alguns elementos que fazem toda a diferença. O roteiro de Kumail Nanjiani e Emily Gordon é eficiente em retratar as esquisitices do começo de um relacionamento de uma forma natural e repleta de bom humor. O fato de Kumail ser paquistanês é um fator relevante para a trama, mas nunca é o aspecto mais importante da personalidade do protagonista, que é um stand-up comedian que sempre tem algo a dizer – mesmo quando deveria ficar calado.

Doentes de Amor também subverte o gênero ao levar o romance dos dois personagens principais para um caminho totalmente imprevisível. Não por acaso, a sessão foi um misto de risadas e choradeiras da minha parte. Se você ainda não viu, pegue a caixa de lenços e se apaixone por Kumail e Emily também.

#2 | A Ghost Story

Imagem para os Melhores Filmes de 2017 mostra Rooney Mara assombrada por um fantasma em A Ghost StoryMinha segunda trapaça da lista é um filme que é de 2017 mas, ao mesmo tempo, não. A Ghost Story foi basicamente ignorado pelas distribuidoras brasileiras, sequer ganhou um título nacional e não tem nem previsão de estrear por aqui. Se houvesse algum indício de que o filme seria lançado por aqui nos próximos meses, eu ficaria feliz em guardar meus sentimentos para incluí-lo em uma possível lista de melhores filmes de 2018. O problema é que depois que você assiste A Ghost Story, é impossível ignorar sua existência. O filme acompanha um casal cujo relacionamento chega ao fim após a morte de um deles. O problema é que C (Casey Affleck) permanece no mundo dos vivos como um fantasma, e é forçado a acompanhar o processo de superação de M (Rooney Mara) à sua morte.

Mas não, A Ghost Story não é um filme de terror. Longe disso. O longa é um drama carregadíssimo que, em primeira instância, imagina como seria acompanhar o sofrimento daqueles que você deixou pra trás. O design do fantasma – um lençol sobre o corpo com dois buracos na altura dos olhos – é genial em sua simplicidade, pois confere a C um aspecto inocente, estranho e, às vezes, de dar pena. Mas isso é apenas um dos temas de A Ghost Story, que depois de uma longa (e muito comentada) cena de M comendo uma torta, nos leva a uma jornada existencialista em que a passagem de tempo é retratada de uma forma cada vez mais surpreendente.

#1 | OJ: Made in America

Imagem para os Melhores Filmes de 2017 mostra O.J. Simpson durante seu julgamento no documentário OJ: Made in AmericaA trapaça suprema da lista de melhores filmes de 2017 é o meu filme – e, consequentemente, meu documentário – favorito do ano. Exibido na TV em sete partes, OJ: Made in America é um trabalho jornalístico surpreendente que analisa a vida, a carreira e os crimes de O.J. Simpson e mostra a forma como a cultura, o preconceito e o privilégio podem ser fatores que atrapalham a objetividade de um julgamento. A história de O.J. também inspirou a série O Povo Contra O.J. Simpson: American Crime Story, que pode ser vista na Netflix.

O diretor Ezra Edelman foi eficiente em separar muito claramente (com paciência e atenção para detalhes) as várias camadas da vida de O.J. Simpson para enfim juntá-las para que o espectador entenda tudo que está em jogo quando o ex-astro esportivo é acusado de assassinato. Brutalidade policial (também discutida no ótimo Detroit em Rebelião) e o histórico de preconceito racial dos Estados Unidos e do mundo são apenas dois fatores que acabaram contribuindo para que os advogados de O.J. se aproveitassem das falhas culturais humanas para tentar livrar seu cliente. OJ: Made in America tem quase oito horas de duração, mas vale cada segundo.