Retrospectival Marvel #4 | Thor

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Vinheta do Professor LumièreOlá, queridas e queridos membros da Falange! Prontos para mais uma semana de Retrospectiva Marvel? Nós estamos, e à medida que a Fase Um chega perto do fim, também vem aquela sensação de que Vingadores: Guerra Infinita está cada vez mais próximo. Mas uma coisa de cada vez. O filme da semana é Thor (2011), a primeira aventura-solo do deus do Trovão nos cinemas no Universo Marvel. O filme foi dirigido por Kenneth Branagh, que foi visto recentemente em Assassinato no Expresso do Oriente. Assista ao trailer abaixo e logo em seguida veja nossos breves comentários sobre o “episódio 4” do Universo Marvel.

Thor | Comentários


Vinheta do Professor LumièreLembram quando a Marvel ainda tentava fingir que os diretores tinham liberdade de mandar e desmandar nos filmes da franquia? Kenneth Branagh serviu pra reforçar essa ideia, mas depois que Patty Jenkins (Mulher Maravilha), Edgar Wright (Em Ritmo de Fuga) e Joss Whedon abandonaram o barco, ficou difícil sustentar essa história de que todos estavam fazendo filmes autorais. Ainda assim, Branagh tinha com Thor uma tarefa bastante difícil: estabelecer um personagem nunca antes visto pelo grande público, mover pra frente o Universo Marvel – e, acredito que, em termos de relevância para a mega franquia, dos três Thor esse primeiro é o que mais colabora com o avanço da trama em direção ao ápice (Vingadores) – e ainda apresentar ao público elementos extraterrestres que até então não faziam parte da franquia. Acho que Branagh saiu-se bem na tarefa. O excesso de cores de Asgard funciona bem e a falta de habilidade de Thor (Chris Hemsworth) em lidar com os costumes terráqueos serviu como alívio cômico e facilitou a integração dele com as tramas acontecidas aqui.

Outro grande feito desse filme é saber lidar com três vilões – Loki (Tom Hiddleston), Laufey (Colm Feore com uma excelente maquiagem; acredito que se o filme fosse feito hoje ele seria inteiramente digital) e o Destroyer – sem entrar em pânico. Ok que os três vilões estavam interligados e ok que o Destroyer não era muito mais do que um capanga, mas temos todos que admitir que ter mais de um vilão frequentemente se mostra um desafio e tanto para os roteiristas em filmes de super-heróis. Por fim, ainda bem que mais tarde decidiram escurecer o cabelo, a barba e as sobrancelhas de Hemsworth – o excessivamente loiro desse filme às vezes parece até caricato em retrospecto.


Vinheta da Mãe SerpenteTodo mundo sabe que Thor foi inspirado em mitologia nórdica. Nos quadrinhos, essa origem sempre foi vista como um misto de magia e tecnologia, e até mesmo a localização de Asgard fica em um meio termo nebuloso. Não é possível chegar e sair de Asgard com uma nave, por exemplo, porque a cidade dos deuses não é um planeta. Asgard está em um plano diferente, uma dimensão própria, bem como os outros nove reinos. Cada reino, então, está em um universo próprio. Se parece confuso, é porque é para ser, de propósito, sem uma explicação científica ou uma tentativa de racionalizar os eventos e personagens. Thor é um deus nórdico, ao mesmo tempo que faz parte de uma raça intergalática avançada. O MCU achou que seria complicado demais trazer a mesma perspectiva para o cinema, e transformou Asgard em um corpo espacial; uma cidade com tecnologia super avançada que flutua no espaço.

Os filmes seguintes consolidam essa mudança. Primeiro com Mjölnir mudando de direção para seguir o dono enquanto ele passeia pelos reinos, o que indica que todos eles são planetas que existem no mesmo espaço. Depois, em Ragnarök (2017), com a afirmação de que os reinos são lugares que Odin (Anthony Hopkins) e Hela (Cate Blanchett) conquistaram em uma expansão espacial. De todas as mudanças que o MCU fez em relação ao material de base, essa foi a mais drástica, capaz de transformar por completo o universo de Thor. E é a única mudança que a Mãe não perdoou; retirar os elementos místicos de Thor não foi só um atalho de roteiro, mas um posicionamento específico da Marvel em relação à incapacidade de seu público de entender algo mais complexo que “alienígenas com tecnologia avançada”.

Pelo menos temos Chris Hemsworth sem camisa, mostrando o corpo malhado… musculoso… esbelto… do que a Mãe estava reclamando mesmo?


Vinheta de BastilleBonjour! Quando assisti a Thor pela primeira vez, eu não gostava do herói. Mas eu lembrava do filme ser legal. O lado positivo de rever o longa foi que me surpreendi com o humor do filme – para qual Darcy (Kat Dennings) contribui muito –, que é o tipo de humor que hoje já é característica obrigatória dos filmes da Marvel. Mas também tive uma surpresa muito desagradável: que direção de câmera é essa, Kenneth Branagh?

Várias escolhas do diretor me incomodaram muito. As cenas de combate sofrem com inúmeros cortes, tornando tudo confuso. O fato da câmera estar muito perto da ação – tão perto que os rostos estão quase sempre cortados – não melhora a situação. Mas isso não é o pior, já que se trata apenas de algumas cenas. Não, o pior é o uso constante e injustificado de diagonais. A quantidade de vezes em que a câmera é girada a 45 graus ao longo do filme é absurda, e em algumas cenas chegam até a alternar: 45 graus para a direita, 45 graus para a esquerda. Quem entendeu o porquê do uso desta técnica neste filme, por favor, deixe um comentário. Apesar de alguns elementos do cenário serem bonitos – Asgard é linda –, o resultado geral é que o filme é visualmente feio. Eu sofri particularmente com isso.