Retrospectiva Marvel #6 | Os Vingadores

0


Vinheta do Professor LumièreFalangeiros assemble! Chegamos ao fim da Fase Um na Retrospectiva Marvel e vocês já sabem o que isso significa: o filme da vez – o sexto – é Os Vingadores (The Avengers, 2012), a primeira aventura que reúne os maiores super-heróis do Terra e levou uma legião de fãs ao cinema para ver se a Marvel conseguiu cumprir o que prometeu com os cinco filmes anteriores. O filme-evento contou com a importante participação de Joss Whedon, que assinou o roteiro e dirigiu a superprodução. Assista ao trailer abaixo e relembre da expectativa que tomou conta dos cinemas há quase seis anos:

Os Vingadores | Comentários


Vinheta do Professor LumièreO maior problema de um evento dessa magnitude – para os fãs e cinéfilos – é o fato de que o estúdio pode escolher fazer o filme gerar lucro apenas com o hype. Felizmente, isso não acontece aqui. Whedon mergulhou de cabeça na produção e se preocupou em entregar um material que fosse divertido, crível e consistente com o que havia sido mostrado antes. É perfeito? Longe disso, mas Os Vingadores não só forneceu uma conclusão satisfatória para a Fase Um do Universo Marvel como também deixou o público a par do caminho que a franquia seguiria e o que deveríamos esperar do perfil dos filmes seguintes.

Entre os problemas de Os Vingadores, aquele que ainda me incomoda é a forma como o roteiro não sabe muito bem lidar com o Hulk (Mark Ruffalo). Whedon gasta mais de um terço do filme estabelecendo o fato de que “o outro cara” é um monstro incontrolável e que, se despertado só causará o caos e tudo mais. No entanto, na batalha em Nova York o Gigante Esmeralda parece estar sob perfeito controle e convenientemente ajuda em todos os momentos que aparece. Sim, eu sei, essa discussão sobre como Bruce Banner faz para controlar o monstro é eterna e retornou para as conversas justamente com Os Vingadores. No entanto, cinematograficamente falando, é preciso lembrar que as regras do universo são determinadas pelo roteiro e aqui, o roteiro diz uma coisa, e a ação outra. Se eu pudesse mudar algo, transformaria o Hulk numa figura caótica que acaba ajudando por acidente pois o objetivo é destruir os Chitauri, mas também atrapalharia bastante no processo.

Por outro lado, grande parte do resto funciona bem. Foi muito esperto da parte de Whedon incluir um conflito entre os Vingadores que permeia boa parte do filme. Isso confere alguma credibilidade à história, pois nenhum grupo que inclua os egos de Tony Stark (Robert Downey Jr.) e Thor (Chris Hemsworth) daria certo logo de cara. Além disso, Stark e Steve Rogers (Chris Evans) batem de frente algumas vezes, e considerando que Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, 2016) ainda nem estava nos planos do estúdio na época, isso ajudou a tornar o conflito dos dois ainda mais palpável alguns filmes depois.


Vinheta da Mãe SerpenteFim da fase um. É nesse momento que o MCU finalmente se consolida e se transforma no que conhecemos hoje. Os Vingadores é a conclusão de um projeto que começou de forma modesta, mas rapidamente ganhou um tamanho imenso. Não é à toa que nenhum outro filme de super-heróis conseguiu alcançar a bilheteria de Os Vingadores até hoje. O projeto da Marvel era tão ambicioso, com a divisão de seus filmes por fases, que era impossível não ir no cinema para saber se o filme realmente conseguiria sustentar uma franquia de dezenas de outros longas. Os Vingadores é crucial para a Marvel também por conta de sua cena pós-créditos. Foi aqui que a jornada para Vingadores: Guerra Infinita (Avengers: Infinity War) finalmente começou – faltam 12 semanas!

O roteiro original previa que o vilão Loki trabalhava sozinho em busca de vingança, mas Joss Whedon sugeriu para os executivos da Disney que seria interessante introduzir uma figura maior e mais ameaçadora por detrás das cortinas. Os executivos gostaram da ideia, e Whedon enfiou Thanos no roteiro. Ainda sem planos definidos do que fazer com o Titã Louco, apenas provocando o público com a presença de uma das forças mais destrutivas da Marvel. Foi por causa dessa decisão que a versão cinematográfica Guerra Infinita começou a ser planejada, com a reimaginação de artefatos místicos já presentes no MCU como as Joias do Infinito. A presença das Joias aumentou gradativamente nos filmes seguintes, até que Thanos finalmente se tornasse uma ameaça mais presente em Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, 2014). Tudo isso porque os executivos decidiram dar liberdade criativa para que Whedon mudasse o roteiro. Quantos estúdios não poderiam aprender com essa decisão (até mesmo a própria Disney/Marvel)?


[Atualização 02/02/2018, 18h50: Náusea não foi na sessão, mas perturbou até entrar no post.]

Vinheta do Náusea

Claro, porra. Não vou falar logo de Os Vingadores? Camaradagem, esse filme era parada dada desde aquele primeiro teaser, ainda no fim dos créditos de Capitão América: O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger, 2011). Eu lembro da reação da plateia no cinema ao simples fato de estarem todos juntos num mesmo quadro. Aquilo era inédito e porra, geral esperava por algo do tipo pelo menos desde os anos oitenta e cara, quando a Marvel jogou isso aqui na rede…

Animação em GIF da icônica cena do filme Vingadores, onde todos os membros do grupo formam um círculo e se preparam para se defender dos ataques dos Chitauri. A câmera percorre o cenário na horizontal, de forma a mostrar todos os personagens em sequência.

…já era, meu parcêro. Nem esse uniforme constrangedor do Capitão Murica conseguiu quebrar o tesão da galera. Isso aí foi a apoteose dos heróis do cinema e isso ninguém tira da Marvel.

O grande mérito desse filme é ser MUITO divertido. Ele não se leva a sério em excesso e isso foi primordial pro sucesso. É cheio de cenas que de fato marcaram época e pra mim é o grande “filme de Sessão da Tarde” da Marvel, junto com Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, 2014). E quer saber? O Hulk tem muita participação nisso aí: o embate com Loki, que de tão icônico foi revisitado em Thor: Ragnarok (2017), além da parceria entre Hulk e Thor contra o Leviathan, que me fez mijar de rir na primeira vez que vi. Só lamento que não tenham mantido esse tom nos outros filmes dos Vingadores, mas a gente ainda vai chegar lá. Bjunda pra geral.