Falange Resenha | Samsara

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Vinheta da Mãe SerpenteA primeira coisa que chamou a atenção da Mãe em Samsara foram suas imagens. Com cenários desenhados à mão, o puzzle prometia uma experiência visual incrível. Com mecânicas simples de quebra-cabeça em um mundo espelhado, o jogo também criou uma grande expectativa em relação à sua potencial dificuldade e capacidade de raciocínio exigida do jogador. Contudo, após seu lançamento definitivo, é possível perceber que Samsara não apresenta grandes inovações e só vai agradar fãs de puzzles puros. Mas ainda assim é uma aventura casual interessante, mesmo que não seja particularmente desafiadora.

O que é Samsara?

Depois de perseguir um esquilo pelo parque, Zee acaba entrando em um estranho portal luminoso e parar em Samsara. O estranho mundo é um reflexo de nossa própria dimensão, de forma extremamente literal no caso do jogo. Todos os puzzles disponíveis são resolvidos a partir do posicionamento adequado de caixas com diferentes formatos, de forma a criar um caminho para que Zee chegue ao próximo portal disponível, com isso se aproximando de seu lar. A tela do jogo é dividida ao meio e peças colocadas na metade correspondente à dimensão Samsara ganham reflexo na metade que corresponde à dimensão normal. A gravidade das duas metades, no entanto, funciona de forma independente, sempre atraindo as peças para o meio da tela. Cabe ao jogador, então, descobrir qual a melhor forma de posicionar um número limitado de peças para resolver cada desafio, com uma atenção especial para a forma como a gravidade afeta os blocos.

Conforme progride, o jogador descobre blocos de materiais diversos, que irão se comportar de maneiras diferentes. Blocos de cimento colocados em Samsara criam reflexos que não são afetados pela gravidade no mundo real, enquanto blocos de metais preciosos funcionam como os de cimento, porém têm a gravidade de seu reflexo invertida, o que amplia o número de ferramentas disponíveis. Não demora muito para que parte de Zee seja extraída de sua essência e cada fase passe a comportar dois portais, cada um direcionado para uma das crianças na tela.

Imagem do jogo de puzzle plataforma Samsara. A imagem mostra uma paisagem refletida de forma incompleta em um lago com blocos e portais espalhados pelo cenário.

Na resolução dos puzzles, o jogador não possui controle sobre o movimento de Zee, nem de sua sombra, quando ela surge. É possível apenas posicionar os blocos e com o toque de um botão comandar que ambos os garotos comecem a andar em linha reta pelo cenário. Onde houver degraus, as crianças irão subir e descer de forma automática, e caso encontrem uma parede irão dar meia volta e começar a correr na direção oposta. O cenário inclui portais de teleporte e pisos quebradiços, o que exige ainda mais atenção na hora do jogador planejar seus movimentos. Infelizmente, quando o comando de correr foi dado, tudo o que o jogador pode fazer é esperar que os garotos completem seus movimentos, mesmo que se perceba algum erro na resolução atual. Esse é um dos muitos detalhes que prejudicam a experiência de Samsara enquanto puzzle casual.

Interrupções

A animação de corrida que não pode ser interrompida faz com que o jogador precise assistir à morte de Zee inúmeras vezes enquanto testa soluções para os problemas. E enquanto espera essa morte, tudo o que o jogador pode fazer é assistir parado à animação, ansioso para voltar a jogar. Isso se torna mais grave em fases mais avançadas, que precisam de muitos blocos em construções complexas, já que visualizar soluções parciais ajuda a planejar os movimentos. Além disso, por mais bonitos que sejam os cenários desenhados à mão de Samsara, existem apenas cinco telas diferentes como plano de fundo dos 72 puzzles disponíveis. A falta de uma trilha sonora torna esses cenários ainda mais repetitivos.

Existe também um mundo externo em Samsara, onde é possível selecionar qualquer quebra-cabeça para refazer a fase. Contudo, a cada vez que encontra a solução de um desafio, o jogador é jogado automaticamente no mundo externo e precisa selecionar a fase seguinte, assistir a uma breve animação e só então começar a jogar outra fase. Todo o processo dura apenas poucos segundos, mas como não existe nenhuma variação nesse procedimento, a atividade começa a ser uma interrupção desnecessária, principalmente quando é tão fácil programar uma continuidade automática entre fases, deixando o mundo externo como um lugar necessário de se visitar apenas quando se quer repetir alguma fase.

Imagem do jogo de puzzle plataforma Samsara. A imagem mostra uma paisagem refletida de forma incompleta em um lago com blocos e portais espalhados pelo cenário.

Por fim, é válido ressaltar que o jogo não é particularmente difícil, principalmente para jogadores habituados com puzzles. Em pouco mais de três horas é possível encontrar a solução de todos seus desafios, e apenas a inclusão de conquistas na Steam pode influenciar alguns jogadores a prolongarem sua experiência. Não há nada para se fazer, e nada para ver, depois que os 72 puzzles de Samsara forem resolvidos, o que limita o seu público potencial.

Para quem é Samsara?

Samsara não apresenta grandes inovações, nem se destaca de forma particular por seus aspectos técnicos. As imagens desenhadas à mão, apesar de belíssimas, são pouco variadas; também não há uma trilha sonora. Sem recursos que possam atrair um grande público, Samsara é indicado apenas para jogadores de puzzles clássicos. Mesmo que algumas imagens de divulgação possam gerar confusão, em Samsara o jogador pode apenas posicionar blocos para formar um caminho preciso. Os 72 puzzles disponíveis serão rapidamente resolvidos por fãs do gênero e seus recursos não surpreendem a ponto de atrair pessoas que não costumam gostar de quebra-cabeças. As soluções são bem planejadas e cada fase foi construída com atenção, porém com tantos títulos similares no mercado, faltam elementos que deem destaque a Samsara. Devido ao preço e ao conteúdo limitado que oferece, o jogo é direcionado para jogadores de puzzle que já esgotaram o catálogo de títulos mais atraentes.

Gameplay da Mãe | Samsara

Você pode assistir aos primeiros minutos de Samsara no Canal de YouTube da Falange. Novos vídeos da Mãe são publicados toda semana, então não deixe de se inscrever no canal para receber as novidades em primeira mão. Uma resenha em vídeo também será disponibilizada lá no canal nos próximos dias.

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Crítico de videogames, observador atento da cultura pop, viajante extraplanar e conhecedor das artes ocultas. Um membro da Falange.