Falange Resenha | Pantera Negra

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Vinheta do NáuseaCamaradagem, Pantera Negra (Black Panther, 2018) sai semana que vem, a Falange foi convidada para assistir mais cedo e como já é tradição com o MCU, coube ao Nauseão da Massa resenhar. Na real eu sempre lembro ao pessoal que eu tive que resenhar Tartarugas Ninja 2 – Fora das Sombras (TMNT: Out of the Shadows, 2016) e isso sempre elimina qualquer chance de conflito.

Pantera Negra continua uma história que começou ainda em Vingadores: Era de Ultron (Avengers: Age of Ultron, 2015), quando fomos apresentados ao traficante de armas – e ex-contato de Tony Stark – Ulysses Klaue (Andy Serkins). Foi nesse filme que ouvimos falar do Vibranium (o metal fodão da Marvel) de uma forma mais direta. E tudo que foi apresentado ali e reforçado em Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, 2016) é retomado agora, o que foi um golaço da Marvel, pois permitiu que Pantera Negra não perdesse tanto tempo com origens e explicações básicas. Vambora então falar do…

Filme, né? Vamos falar do filme? Pantera Negra? Vamos?

Sim, bora. O filme se desenrola logo depois dos acontecimentos de Guerra Civil, quando o príncipe T’Challa (Chadwick Boseman) perde seu pai, o Rei T’Chaka (John Kani), numa explosão. Os reis de Wakanda – enquanto a idade permite – sempre acumulam a função de protetor do reino, sob o manto do Pantera Negra, então T’Challa retorna ao seu país para assumir os dois postos de maneira oficial.

“Vocês pagaram um preço por ele? Ou roubaram, como sempre fazem?”

Corta para a Europa, onde um rapaz negro com um cabelo maneiro dá uma aulinha sobre colonização para a curadora do Museu de Londres, enquanto admira artefatos vindos da África subsaariana. Ele se chama Erik (Michael B. Jordan) e junto com uma galerinha do barulho – que inclui Ulysses Klaue – vai aprontar altas confusões. Sem spoiler, que como bem sabemos é coisa de pau no cu, vamos por partes.

E Wakanda, hein?

Porra parcêro, queria tirar meu chapéu panamá pra quem bolou o visual de Wakanda, que tem toda a personalidade que Asgard nunca conseguiu ter. Inclusive fica muito claro o respeito da equipe de criação pelos símbolos e pela identidade visual das antigas civilizações africanas, que somados aos delírios tecnológicos da produção criam paisagens quase impossíveis, mas ao mesmo tempo muito familiares, ainda mais para brasileiros. A fotografia de Wakanda é feita pra impressionar, principalmente as tomadas que pegam o céu.

A imagem mostra a sala do trono de Wakanda, vista de cima e por trás. O trono está no canto inferior direito da imagem e os cinco representantes das tribos leais à coroa estão sentados ao seu redor, formando um semi círculo. À esquerda do trono, Shuri, a irmã de T'Challa, vivida por Letitia Wright. A frente do trono, A guarda Okoye, vivida por Danai Gurira. À frente de Okoye estão o rei T'Challa, vivido por Chadwick Boseman e Erik, vivido por Michael B. Jordan

Elenco e atuações

Antes de mais nada, precisamos falar do sotaque dos wakandianos quando falam inglês, que ficou muito bom. Sim, porque sempre que possível e justificável, o elenco principal do filme se comunica em sua língua materna, que existe de verdade: trata-se do idioma isiXhosa, a língua original da África do Sul pré-colonização, que eu acho melodiosa e bonita pra caralho. Procurem por Miriam Makeba no YouTube e sejam felizes.

Chadwick Boseman entrega um T’Challa correto e nada mais, o que acabou fazendo com que ele fosse engolido por Michael B. Jordan e seu Erik quando tiveram cenas juntos. Em compensação, Danai Gurira – a Michonne de Walking Dead – brilha no papel de Okoye, a General das Dora Milaje, a guarda de honra dos reis de Wakanda. Lupita Nyong’o é maravilhosa e continua sendo no papel de Nakia. Mas vou te falar, dois atores arrebentaram nesse filme: Letitia Wright no papel de Shuri, a irmã de T’Challa e engenheira-chefe de Wakanda; e Winston Duke, no papel de M’Baku, líder da tribo independente dos Jabari. Grande parte do humor do filme acaba vindo deles.

Menção honrosa para Andy Serkins reprisando seu Ulysses Klaue, dessa vez mais parecendo um projeto de Coringa, mas ainda assim bastante divertido. Ainda torço pra que esse cara tenha um papel de mais destaque no futuro que não seja usando captura de movimentos. Já Angela Basset no papel da matriarca Ramonda e Forest Whitaker no papel do sacerdote Zuri entraram de 4-4-2 conservador com dois alas abertos e dois volantes, pegaram seus cheques e foram embora.

Enredo

Não me interpretem mal, mas Pantera Negra em alguns momentos nem parece um filme da Marvel. Tem um pouco da pegada de Capitão América: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier, 2014) com bem menos piadas que o “normal”, o que coube muito bem, já que o filme lida com questões muito pesadas em alguns momentos, ainda que de forma sutil. É um filme muito sólido e bem amarrado, que fica no meu top 3 do MCU fácil, vocês vão ver.

“Só me joguem no oceano, junto com meus ancestrais que pularam dos navios. Eles sabiam que a morte era melhor que a prisão.”

E pasmem os senhores: apesar da Marvel ainda insistir na fórmula do “inimigo-espelho”, o roteiro permitiu que finalmente tenhamos um vilão realmente bom em um filme do MCU. Você provavelmente vai se pegar pensando “peraí, esse cara tem alguma razão” em algum momento, vai por mim.

A Imagem mostra o protagonista de Pantera Negra, T'Challa, vivido por Chadwick Boseman à direita. À esquerda, o antagonista Erik, vivido por Michael B. Jordan. A imagem está em plano americano, da cintura para cima dos atores. Os dois se encaram de forma ameaçadora.

Temos duas cenas pós créditos, uma para concluir o que foi visto no filme e outra para preparar o terreno para os filmes da Guerra Infinita. Sem mais.

Tá, mas e aí?

E aí que como já disse lá em cima, Pantera Negra é muito bom; se você considerar o jeitão Marvel de fazer filmes então, ele fica fácil entre os melhores do MCU. Tem ação, tem drama, uma reviravolta, bons diálogos e bem menos piadas que as últimas três ou quatro produções.

Em plano americano, da cintura para cima, a imagem mostra à esquerda, Lupita Nyong'o, como Nakia, ao centro Chadwick Boseman como T'Challa e à direita Letitia Wright como Shuri, personagens do filme Pantera Negra, da Marvel Studios.

Vão sem medo logo na estreia e podem bancar o combo de pipoca e refri que custa 10% do PIB de um país emergente dessa vez. Na real, podem bancar até a sala vip do shopping, com cobertor e garçom. Nauseão da massa garante. Bjundas e digam o que acharam depois.