Séries da DC: as “bobinhas” são as melhores?

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Certos personagens da cultura pop conseguiram chegar num nível de popularidade tão grande que não existem mais barreiras pra eles. Mas como chegaram nesse ponto afinal?

Vou usar o exemplo da minha vozinha, a Dona Nausireia: se eu mostrar um rabisco do Superman, do Batman ou mesmo do Hulk, ela vai saber de quem se trata. E vai saber, não porque ela lia os gibis da Ebal na década de cinquenta, mas sim porque o neto dela via os desenhos desses caras na Xuxa e na Mara e depois enchia o saco de todo mundo pra ganhar bonequinhos no natal e porque os filmes e séries volta e meia reprisavam na tv.

Quer dizer, esses personagens famosos demais só são o que são porque existiram várias versões deles em tudo quanto é mídia, a ponto de ficarem gravados na retina até da minha vó;

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A série do Batman e Robin de 1943…
... e a do Superman em 1951 já mostravam qual era o caminho.
… e a do Superman em 1951 já mostravam qual era o caminho.

Agora, vejamos o lado dos quadrinhos: comecei a ler gibi ainda nos anos oitenta, justamente quando começou um grande movimento de fazer os super heróis parecerem mais complexos e ”adultos”. Uma mudança de abordagem que é usada até hoje e pra mim é a grande responsável pela perda de terreno dos quadrinhos no imaginário das pessoas.

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Viajaram errado nisso aqui…
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… e deu nisso aqui.

Porque no momento que os super heróis deixaram de ser ”coisa de criança”, o público geral deixou de ser renovado. Isso é muito perceptível no Brasil hoje: o consumidor de quadrinhos de super herói aqui são homens entre vinte e quarenta anos que só sabem resmungar sobre a baixa qualidade das histórias – com toda razão – mas ainda assim continuam comprando em nome da memória afetiva da infância.

O leitor de quadrinhos de herói médio hoje é esse aí.
O leitor de quadrinhos de herói médio hoje é esse aí.

O que tem permitido uma renovação do público dos super heróis são justamente as iniciativas fora dos quadrinhos e é aí que entram as séries ”bobinhas” que a DC vem fazendo: Supergirl, Flash, Legends of tomorrow e mesmo Arrow, que mudou completamente de tom a partir da segunda temporada.

Simples e divertidas, como tem que ser.
Simples e divertidas, como tem que ser.

Digo que são bobinhas porque foi minha impressão quando parei pra vê-las, mas isso é um elogio. Sabe porque?

Porque isso aqui:

E isso aqui:

Me lembrou isso aqui:

E até isso aqui também:

O mesmo estilo de abertura ”oi, eu sou fulano e esse é meu mundo”, que funciona muito bem obrigado para o público infantil. Exatamente o tipo de coisa que deixou de ser feita nos últimos tempos e poderia tirar os quadrinhos de herói da inércia criativa de hoje.

A Marvel/ Disney usou essa abordagem nos seus filmes e a coisa deu tão certo que  hoje ela pode se dar ao luxo de variar o público alvo, colocando as crianças no foco dos filmes e deixando  as séries da Netflix para os adultos resmungões.

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Sobre os gibis no Brasil, antigamente minha mãe ia na banca comprar o jornal e com o troco levava um gibi. Hoje se você chegar na banca e comprar um gibi, vai ter que interar o troco pra levar o jornal. Como se renova o público desse jeito?

No passado tivemos as linhas DC Vertigo e Marvel Max voltadas para adultos,  mas elas preferiam abordar universos próprios e não usar os super heróis usuais.

A saída talvez fosse testar duas linhas distintas de quadrinhos de herói, mas com os mesmos personagens,  divididas apenas por faixa etária e preço. Uma mais adulta, com mais páginas e mais cara, outra com histórias leves, com um acabamento até um pouco inferior mas também mais barata, pra vender em banca e pra que a criança possa rabiscar, recortar e desenhar em cima sem levar os pais à falência.

Acredito que uma iniciativa como essa por si só já ajudaria a melhorar a qualidade das histórias. E vocês?