Primeiras Impressões | Star Trek: Discovery

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Vinheta do Professor LumièreOlá, queridas e queridos membros da Falange. Aqui quem fala é o Professor Lumière, um dos grandes entusiastas de Séries no QG. Hoje vou falar sobre os dois primeiros episódios de Star Trek: Discovery, nova série de ficção científica ambientada cerca de dez anos antes da série original da década de 60. A primeira temporada terá 15 episódios que serão adicionados semanalmente ao catálogo da Netflix no Brasil. Os dois primeiros episódios foram disponibilizados ao mesmo tempo.

Diversidade ainda é relevante para Discovery

Um dos elementos mais interessantes de todas as vertentes da série Star Trek era a forma como a equipe se mostrava aberta a formar um elenco mais diverso possível – nenhum outro seriado dos anos 60 contava com negros e asiáticos no elenco principal. Por isso, é curioso notar que, em 2017, mais de 50 anos depois, o prequel Star Trek: Discovery também se destaca por ter nos papéis principais… uma negra e uma asiática.

Imagem de Star Trek Discovery que mostra Michael (Sonequa Martin-Green) e Philippa (Michelle Yeoh) em um deserto
Michael (Sonequa Martin-Green) e Philippa (Michelle Yeoh) lideram o elenco.

Os primeiros dois episódios de Star Trek: Discovery servem como um prólogo para a história principal, cuja primeira parte se estenderá até o fim de novembro, e depois retorna em janeiro de 2018 para a conclusão. Em pouco mais de uma hora (somando a duração dos dois episódios), a série de Bryan Fuller e Alex Kurtzman estabelece Michael (Sonequa Martin-Green) e Philippa (Michelle Yeoh) como líderes absolutas e extremamente competentes, que confiam uma na decisão da outra e raramente são questionadas pelo resto da equipe da nave USS Shenzhou.

Um Mau Começo… ou Quase

E se o prólogo servir como termômetro para indicar o tom dos próximos 13 episódios, é seguro presumir que estamos diante de uma das melhores estreias do ano. O episódio inicial (“The Vulcan Hello”), no entanto,  começa com um grave erro técnico: Michael e Phillipa estão vagando pela superfície de um planeta desértico e a cena foi gravada em estúdio diante de um fundo verde. Se você achou que eu ia criticar o uso dos efeitos digitais, errou, mas falo mais sobre isso à frente. O problema é que a mixagem de som deixou claro que o diálogo das atrizes foi gravado em um estúdio, de modo que a equipe responsável não conseguiu mesclar o diálogo com o som ambiente a fim de ajudar na ambientação da cena.

Imagem de Star Trek Discovery mostra Michael (Sonequa Martin-Green) em traje espacial diante de uma explosão
Efeitos especiais são destaque positivo da série

Sim, estou sendo chato, mas só menciono esse problema por duas razões: 1) quando me deparei com isso logo na primeira cena, fiquei em estado de alerta e achei que podia estar diante de uma produção mal feita; 2) esse é o maior defeito (até agora) de Star Trek: Discovery – tudo que aconteceu a seguir me agradou bastante.

Os efeitos especiais são um dos elementos mais fascinantes de Star Trek: Discovery – e isso ganha ainda mais relevância quando se pensa que a série foi desenvolvida para a CBS All Access: um serviço de streaming norte-americano que nem é considerado um rival das gigantes Netflix e Hulu, cuja produção mais notável era The Good Fight, um spin-off do drama jurídico The Good Wife. No entanto, os dois episódios que formam o prólogo não devem absolutamente nada a diversos blockbusters de Hollywood, e planos como aqueles que mostram diversas naves em combate funcionariam na tela grande de forma mais crível do que muitos outros filmes.

Corajosamente Indo Onde Nenhum Roteirista Foi

A qualidade de Star Trek: Discovery não se limita aos efeitos especiais: o roteiro logo deixa claro que o início da guerra da Federação contra os Klingons não será mostrado apenas de um lado, o que se traduz em longas sequências com diálogos klingons que podem afastar uma parcela do público (mesmo quem assistir dublado será forçado a acompanhar legendas logo na primeira cena). Ao mesmo tempo, isso sugere uma preocupação dos roteiristas em entregar uma trama mais complexa e dar uma motivação aos klingons.

Imagem de Star Trek Discovery mostra lider klingon
Klingons ganham sua própria trama e motivações mais complexas

Por fim, os primeiros dois episódios de Star Trek: Discovery indicam que o grupo de roteiristas liderado por Akiva Goldsman não irá hesitar diante da ideia de abalar as estruturas da série. Isso fica especialmente claro quando, ao fim do segundo episódio (“Battle at the Binary Stars“), se percebe que as noções do caminho que a trama seguiria foram totalmente subvertidas e a última cena deixa uma satisfatória sensação de “caramba, e agora?” que as melhores séries conseguem trazer.

Avaliação: Se a série mantiver o ritmo e a qualidade dos dois primeiros episódios, serei um dos fãs entusiastas que deseja que ela tenha vida longa e próspera.

Fique atento: Além dos efeitos especiais, a maquiagem, o figurino e  a arte da abertura/créditos iniciais são de tirar o fôlego.