A Música do Silêncio | O livro derivado de O Nome do Vento

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Nas profundezas dos subterrâneos , com pedras mornas sob os pés, Auri ouviu uma vaga e doce melodia.
(“A Música do Silêncio”, Patrick Rothfuss)

Fiquei em silêncio num cantinho do quadro, acompanhando Auri, ouvindo seus pezinhos leves voarem por vários cantos do Subterrâneo. A minha menina bem podia estar desse lado de Cá, sonhando acordada com as páginas que cantavam os sete dias da vida daquele serzinho, mas eu estava Lá, do outro lado, com Auri.

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Patrick Rothfuss é autor do consagrado O Nome do Vento, primeiro livro da trilogia A Crônica do Matador de Rei. A trilogia ainda não está completa, o terceiro e último volume (The Doors of Stone, no título original) não foi lançado, Rothfuss – além de estar envolvido em outros projetos da literatura fantástica contemporânea – está tomando o tempo necessário para finalizar sua obra. Hoje, porém, Ismália e eu não iremos nos adentrar pela história de Kvothe, protagonista da trilogia. Hoje vamos falar d’uma outra personagem que habita o universo da série, um ser esquivo e fascinante, tão fascinante que Rothfuss decidiu fazer um pequeno livro só para contar uma história dessa personagem. A Música do Silêncio foi lançado em janeiro de 2015, e dentro dele encontramos, narrados através da escrita poética e musical de Rothfuss, sete dias da vida de Auri.

Ah, contadores de estórias… suas loucuras e seus mundos particulares, suas belezas! Esse Rothfuss canta enquanto conta, e por meio da pequenina Auri, ele nos mostra como o silêncio é vivo e dançante!

O livro é breve, a história conta apenas sete dias da vida de Auri, uma jovem que habita os subterrâneos da Universidade, que enlouqueceu quando era estudante da mesma, e desapareceu. Esse passado da personagem, estranho e cheio de lacunas, é citado em O Nome do Vento. A história do livro gira em torna da espera de Auri por uma visita especial, e cada dia é um dia de fazer algo, mas vejam bem, não é fazer algo apenas para seguir uma agenda, não… Auri decide o que fazer em cada dia porque percebe a essência de cada dia assim que acorda todas as manhãs. Sua vida e rotina são pautadas pela essência das coisas, seus gestos e ações sempre buscam uma harmonia perfeita com tudo a sua volta, tudo tem seu lugar e sua função, inclusive a própria Auri. No silêncio e nas sombras do Subterrâneo, a menina encontra objetos vivos e perdidos, e matuta – até descobrir – sobre o motivo da existência de cada um. A Música do Silêncio pode falar de solidão, mas escolhe ser leve e singelo. Pode falar de uma menina que alguns considerariam louca, mas sua escrita é muito lúdica para retratar a violência da loucura. Para mim, o livro fala de como tudo é vivo, e de como a beleza se manifesta e é potente quando escutamos suas várias vozes.

Rodopiei com Auri pelos caminhos, cômodos e palavras. Passei sua fome e sorri com suas pequenas felicidades. Há uma Auri em mim, na minha menina, em todos vocês. Há uma poesia secreta num punhado de sal marinho. Há uma música no Silêncio, uma música dos que sonham, das Ismálias.