Mês das Bruxas 2017 | Descubra o Melhor do Terror

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Vinheta da Mãe SerpenteOutubro é um mês especial para os amantes de horror. Não faltam lançamentos de filme e jogos do gênero, além de programas e eventos especiais. O motivo é a proximidade com o Halloween, a comemoração ocidental do Dia das Bruxas. Não podia faltar um evento especial aqui na Falange, e por isso a Mãe vai publicar um texto por dia até o fim do mês, sobre grandes filmes de terror dos últimos anos. São sucessos de bilheteria, mas também pérolas escondidas. Alguns filmes que até mesmo nem foram exibidos nos cinemas brasileiros. Acha que já viu o que o horror tem de melhor para oferecer? Fique de olho no nosso especial do Mês das Bruxas, encontre novas indicações de filmes, e entre na discussão sobre aspectos polêmicos de filmes conhecidos.

Mês das Bruxas #13 | A Bruxa (The Witch)

A batalha de A Bruxa é travada entre o desejo, sem qualquer amarra, e a repressão, sem qualquer limite. Uma batalha que testa a fé do cristianismo ortodoxo, que, no fim das contas, é incapaz de resistir à tentação. A Bruxa é assustador de uma forma distinta do horror padrão, sem sustos, e com sua violência mais sugerida que realizada. Ainda assim, o temor que A Bruxa é capaz de causar deriva, em grande parte, da cultura ocidental cristão. Independente do espectador ser ou não cristão, todos conseguem entender a brutalidade do inferno, como um lugar de punição. O desespero de se reconhecer um pecador, então, é um sentimento fácil de compartilhar, principalmente quando cada detalhe do filme é tecnicamente perfeito. Desde a fotografia à edição de som, A Bruxa foi feito com uma atenção única, e com o objetivo de simular ao máximo o desconforto e angústia que a fé desmedida pode causar, quando deriva unicamente do medo do fogo eterno.

Imagem do filme A Bruxa, ou The Witch. Na imagem uma família está de joelhos, clamando aos céus na frente de um campo vazio.

Mês das Bruxas #12 | Cisne Negro (Black Swan) e o gênero do horror

Cisne Negro é oficialmente classificado como um filme de Suspense. Muito já se discutiu essa classificação, mas a Mãe sente a necessidade de tratar desse assunto mais um pouco. Cisne Negro é um filme de Horror, e não um filme de Suspense. Não existe um mistério a se resolver, ou uma mensagem revelada. Darren Aronofsky não esconde que os olhos que se viram em quadros, ou as imagens no espelho que se movem de maneira diferente, são fruto da mente perturbada de Nina (Natalie Portman). Não existe, então, a intenção do filme de excitar seu público rumo a um desfecho surpreendente. Toda a trama segue um caminho previsível, e nem por isso menos chocante. Clique na imagem e leia o artigo completo.

Imagem do filme Cisne Negro, ou Black Swan. A imagem mostra um close do rosto de Natalie Portman maquiada como bailarina que interpreta Cisne Negro.

Mês das Bruxas #11 | Byzantium

Apesar de seu conteúdo fantástico, Byzantium é um retrato realista de relações humanas. Para além do sangue e das mortes, que são poucas e distantes ao longo da trama, vemos o convívio conflituoso de mãe e filha esbarrar em outras figuras, ganhando contornos e nuances tão delicados e significativos quanto aqueles encontrados na própria vida. O realismo de Byzantium, seu grande trunfo como filme, perpassa as escolhas visuais, um trabalho conjunto do diretor Neil Jordan e do diretor de fotografia Sean Bobbit. Um trabalho que demonstra o potencial impacto que imagens na tela podem causar, mesmo sem o uso extensivo de efeitos especiais, cada vez mais uma muleta para o cinema contemporâneo. Clique na imagem e leia a resenha completa.

Imagem do filme Byzantium - Uma Vida Eterna. A Imagem mostra Eleanor e Clara, mãe e filha, abraçadas em um parque de diversões, com vestígios de sangue em suas roupas.

Mês das Bruxas #10 | O Que Fazemos nas Sombras (What We Do in the Shadows)

A genialidade do filme está justamente em entender o amplo universo dos vampiros na cultura pop, e criar uma estória que faça homenagens e sátiras às diferentes personificações dessa figura mítica. Viago, por exemplo, é uma paródia do vampiro sofisticado, acostumado à vida de nobreza. Já Vladislav é uma cópia debochada de Drácula, com sua própria câmara de tortura e sua inclinação a orgias. Temos ainda Jonathan Brugh como Deacon, um vampiro nazista. E Ben Fransham como Petyr, o Nosferatu do grupo. Além de servirem para personificar estereótipos de vampiros, cada personagem também reproduz o comportamento estereotipado de colegas de apartamento, desde o maníaco por limpeza até o jovem rebelde e desleixado. E o humor de O Que Fazemos nas Sombras é construído pela sobreposição ridícula entre o cotidiano de um grupo de homens que vivem sob o mesmo teto, e a noite-a-noite do mundo dos monstros. Clique na imagem e leia a resenha completa.

Imagem do filme O Que Fazemos nas Sombras, ou What we Do in the Shadows. A imagem mostra uma foto de família com cinco vampiros e um humano, Stu.

Mês das Bruxas #9 | Demon

O reconhecimento imediato dos críticos quanto à qualidade de Demon deriva da compreensão de que o filme é uma grande alegoria para a forma que o Polônia lida com seu passado, principalmente no que diz respeito aos judeus. Os mesmos judeus massacrados, enterrados e constantemente ignorados pela sociedade. Um esqueleto indigesto no quintal, que pode mesmo provocar o ressurgimento de figuras e vozes de um tempo que todos querem esquecer. A possessão, tão temida, é um reflexo da desconfortável certeza de que o massacre dos judeus na Polônia não foi apenas fruto da invasão alemã. Foram poloneses que também mataram judeus, e os enterraram em seu próprio quintal. E que todos festejem e fiquem bêbados, antes de termos que lidar com descobertas escusas. Clique na imagem e leia a resenha completa.

Imagem do filme polonês Demon, de Marcin Wrona. A imagem mostra o noive sem camisa e se contorcendo no meio de uma recepção de casamento, rodeado de convidados.

Mês das Bruxas #8 | Predadores do Amor (Hounds of Love)

Baseado em fatos reais. É uma frase recorrente em filmes de horror, e que costuma chamar a atenção de um público que vibra com o aumento da sensação de medo. No entanto, o aviso costuma ser seguido de estórias sobrenaturais que minimizam seu impacto. Sem recorrer a um aviso prévio, Predadores do Amor, ou Hounds of Love, no original, é um filme de 2016 que trata de uma série de estupros e mortes realizados por um casal instável. Para piorar o cenário, as vítimas quase sempre são adolescentes. Uma estória baseada nos assassinatos de Moorhouse, um dos eventos mais grotesco da História australiana. O fato de nenhum estupro, ou morte, acontecer de forma explícita na tela não torna o filme menos perturbador. Pelo contrário, a sugestão de cada momento de violência abre espaço para que o próprio espectador preencha as lacunas, uma experiência desconcertante. Young consegue transformar uma simples porta fechada em uma imagem trágica, e o close em objetos comuns espalhados pela casa se torna tão assustador quando o close em papeis cheios de sangue, ou brinquedos sexuais espalhados pelo chão. Clique na imagem e leia a resenha completa.

Imagem do filme australiano Hounds of Love, ou Predadores do Amor. A imagem mostra uma jovem, ferida e acorrentada em uma cama, com o rosto encostado em uma parede.

Mês das Bruxas #7 | Invasão Zumbi (Train to Busan)

Conhecido internacionalmente pelo seu título em inglês, Train to Busan, ou Trem para Busan, esse é um filme que toca mesmo pessoas que não possuam afinidade com o horror. Isso porque, no fim das contas, o que menos importa no longa são os comedores de carne, e é a natureza humana que ganha o holofote central da trama. A ideia é simples, e já foi utilizada à exaustão. Um vírus misterioso se espalha e transforma humanos em criaturas agressivas e irracionais. E no meio da estória existem também os zumbis. Todo filme que antecipa uma situação apocalíptica serve como estudo do comportamento humano, de alguma forma. O objetivo é discutir o quanto nosso instinto de sobrevivência pode sobrepujar aquilo que consideramos humano: nossa capacidade de empatia, e a habilidade de se sacrificar em nome do bem coletivo. Esse conflito entre permanecer vivo a qualquer custo e ajudar a quem precisa é potencializado por uma situação limite, em que regras sociais já não valem, e não existe nenhum poder de repressão, como a polícia, para fiscalizar suas ações. Clique na imagem e leia a resenha completa.

Imagem do filme Invasão Zumbi, ou Train to Busan, ou Busanhaeng. A imagem mostra um grupo de passageiros ensanguentados dentro de um trem.

Mês das Bruxas #6 | A Entidade (Sinister)

A Entidade, ou Sinister no original, se baseia em clichês do cinema de horror. Uma família se muda para uma casa assombrada, e lá descobre a existência de uma força sobrenatural que os coloca em risco. Por que esse filme se diferencia de outros de mesma temática, então? Porque A Entidade se propõe a investir pesado na qualidade técnica do filme, o que inclui sua fotografia, direção, atuação e edição de som. E isso faz uma diferença gigantesca no resultado final. Clique na imagem e leia a resenha completa.

Pôster do filme A Entidade, ou Sinister. A imagem mostra uma criança pintando de sangue uma parede branco.

Mês das Bruxas #5 | A Pele que Habito (La Piel que Habito)

Quem conhece o diretor Pedro Almodóvar pode estranhar ver um de seus filmes em um especial de Mês das Bruxas. Isso porque o diretor espanhol costuma produzir filmes dramáticos. Cheios de violência, muitas vezes, mas nunca fora de um mesmo gênero cinematográfico. No entanto, A Pele que HabitoLa Piel que Habito, no original, merece um lugar nessa lista principalmente por seguir uma tradição antiga do horror. Uma tradição que marca também o início da ficção científica. A tradição do cientista louco. É a partir desse arquétipo que o Almodóvar decidiu criar seu primeiro filme de horror: A Pele que Habito. Na trama do longa, somos rapidamente apresentados a Roberto, um cirurgião renomado que mantém aprisionada em sua casa uma jovem mulher chamada Vera, uma cobaia para seus experimentos da criação de uma pele humana mais resistente. O objetivo de Roberto é tornar humanos a prova de fogo e outras feridas, depois que sua já falecida mulher foi consumida por um incêndio num acidente de carro. Se aprisionar um outro humano contra sua vontade e fazer experimentos ilegais não for o suficiente para aguçar sua curiosidade, não se preocupe, A Pele que Habito tem muito mais a oferecer. Clique na imagem e leia a resenha completa.

Imagem do filme A Pele que Habito, ou La Piel que Habito, ou ainda The Skin I Live In. A imagem mostra o rosto de uma jovem coberto por uma máscara branca, enquanto um homem s aproxima por trás.

Mês das Bruxas #4 | O Segredo da Cabana (The Cabin in the Woods)

A diversão em O Segredo da Cabana está em perceber, junto do desenrolar do roteiro, o quão vazios filmes de terror podem ser. O monstro é aleatório porque no fim das contas não importa a forma de matar os jovens, o que importa é vê-los morrer. Da mesma forma, as ações desses jovens precisam ser burras e impensadas para garantir que eles estejam na hora errada e no lugar errado. E são jovens aqueles que precisam morrer porque o público se acomodou com determinada faixa etária. Sem nenhuma intenção de continuação, O Segredo da Cabana tem cenas de terror extremamente bem produzidas, e subverte o clichê para convidar a indústria cinematográfica a reinventar todo um estilo de filmes. É um marco importante porque abre o caminho para que filmes de terror menos convencionais sejam produzidos e vistos. Além de ser uma imensa homenagem aos maiores clássicos do medo. Clique na imagem e leia a resenha completa.

Pôster de O Segredo da Cabana, ou The Cabin in the Woods. A imagem mostra uma cabana de madeira como se fosse um cubo de Rubik.

Mês das Bruxas #3 | The Neon Demon (Demônio de Neon)

Se o que se espera do terror é apenas entretenimento, The Neon Demon será um filme difícil de terminar. Mas o longa é um ensaio extremamente interessante sobre o mundo supérfluo, e violento, da moda. Sobre a certeza das modelos de que o corpo é passageiro, e toda beleza está fadada a ser superada por um rosto novo. E, é claro, sobre o extremo em que se pode chegar para preservar uma posição de admiração e poder. Por seu caráter inovador, The Neon Demon merece ser visto; mas é preciso saber que sua estética nem sempre é empolgante, e exige comprometimento do espectador. Clique na imagem e leia a resenha completa.

Imagem do filme The Neon Demon, ou Demônio Neon. A imagem mostra uma fotografia de moda, com uma moelo ensanguentada sobre um sofá.

Mês das Bruxas #2 | Amizade Desfeita (Unfriended)

A forma como Amizade Desfeita foi filmado, editado e distribuído é ideal, justamente porque o filme quer tratar do suicídio derivado do bullying, do vício de ferramentas virtuais, da potencialização da violência psicológica que ocorre na internet. E para isso foi necessário uma estética intimista. Amizade Desfeita é extremamente recomendado também porque serve como espelho para o modo de formatar relações pessoais por meio de dispositivos eletrônicos, cada vez mais presentes em nossa vida sem que sejamos capazes de compreender as consequências reais de seu uso. Amizade Desfeita pode ser encontrado na Netflix, o principal canal de streaming no Brasil. Clique na imagem e leia a resenha completa.

Imagem do filme Amizade Desfeita, também conhecido como Unfriended, ou Offline. A imagem mostra uma conversa de Skype na tela de um computador, envolvendo vários jovens e uma pessoa desconhecida.

Mês das Bruxas #1 | Corrente do Mal (It Follows)

Corrente do Mal, também conhecido como It Follows, foi um dos maiores sucessos do horror em 2014. Um sucesso em relação à crítica, que ficou fascinada pela forma simples e eficaz com que o filme personifica o medo de doenças sexuais de uma geração habituada ao sexo ocasional. Sucesso também de bilheteria, já que o filme independente, que contava com um orçamento de apenas 2 milhões de dólares, arrecadou mais de 20 milhões nos cinemas. Dez vezes mais do que seu custo inicial. O ritmo de It Follows é mais lento do que o de filmes de terror mais contemporâneos, principalmente quando oconsideramos a proliferação de filmes baseados em jumpscares. Ainda assim a espera gratifica o espectador, que aos poucos se envolve com a tensão sentida pelas personagens. Cheio de referências à vida sexual humana, It Follows também é um clássico recente do horror por seu conteúdo, que não se limita a uma fonte sobrenatural de horror, mas trabalha com medos reais, principalmente de gerações mais jovens. E, para melhorar, o filme está disponível na Netflix. Clique na imagem e leia a resenha completa.

Cena do filme Corrente do Mal, também conhecido como It Follows. A cena mostra uma jovem amarrada em uma cadeira, enquanto um jovem segura uma lanterna ao fundo.

Mês das Bruxas | No Mundo dos Games

Na semana passada a Mãe preparou uma edição especial da Contagem da Mãe sobre grandes títulos do terror. Se você também é um jogador, clique na imagem e descubra quais foram 13 jogos que marcaram época para o gênero, do Super Nintendo até os dias de hoje.

Imagem oficial da edição da Contagem da Mãe sobre jogos de horror para sexta-feira 13. A imagem mostra Jack Baker, do jogo Resident Evil 7, com a logo da Contagem da Mãe. Mês das Bruxas.

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Crítico de videogames, observador atento da cultura pop, viajante extraplanar e conhecedor das artes ocultas. Um membro da Falange.