Marvel | Capitã Marvel e as outras heroínas do MCU

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Vinheta BastilleBonjour! Ainda se sabe pouco sobre a futura produção Capitã Marvel (Captain Marvel), o que é explicado pelo fato do filme solo da heroína ter estreia prevista somente para março de 2019. A única certeza até então é que Brie Larson irá interpretar a heroína, e a atriz já tem uma ideia do que pretende para a personagem.

Em entrevista ao Collider, Larson disse sempre tentar dar profundidade a cada uma das personagens  que ela interpreta, e afirmou que não será diferente com Capitã Marvel.

Além do fato de ser icônico ser parte disso, de interpretar a primeira protagonista em um filme solo, acho que, pessoalmente, uma das coisas que mais me empolga é a ideia da complexidade feminina. É o que quis trazer em cada gênero e cada filme que fiz. Como podemos entender a fascinante complexidade de ser mulher?

[…] o que me anima é dizer que não é tão simples como “oh, uma menina em um filme de ação; é uma super-heroína e ela é forte e ela é igual a um homem”. Isso é fácil demais. Não é nesse ponto em que estamos. Penso que mulheres são muito mais complicadas e interessantes do que apenas dizer “Elas são como homens, e é isso que as torna fortes, e é isso que as torna legais”.

Não é assim que funciona, então para mim é essa ideia de fazer esse filme em essa larga escala, com pessoas realmente incríveis e inteligentes por trás, com mulheres por trás, que dá uma hora e meia ou duas horas para sentar e ver o quão diferentes mulheres podem ser.

Faço das palavras de Brie Larson minhas. Personagens femininas são frequentemente simplificadas nas telas, e quando admiradas, muitas vezes o são por terem características associadas à masculinidade. Algo que precisa mudar.

O mundo de super-heróis é visto como masculino, tanto é que até agora nenhuma heroína ganhou um filme solo no MCU, e nem no DCEU. Mas isso está prestes a mudar. Capitã Marvel e Mulher Maravilha chegarão nas telonas, respectivamente, em março de 2019 e em junho deste ano (olha a DC fazendo algo legal!). Vejo e ouço que já estava na hora da Marvel dedicar um filme a uma heroína. E se concordo que é importantíssimo termos mulheres protagonizando filmes do gênero, também não podemos esquecer que a Marvel já fez um bom trabalho até agora com suas personagens femininas em seu Universo Cinematográfico. Vejam só.

As mulheres do Universo Cinematográfico da Marvel

Nos filmes, a Viúva Negra é uma personagem recorrente desde sua primeira aparição em Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, 2010). Natasha Romanoff é dotada de inteligência, esperteza e agilidade muito acima da média, e foi treinada para ser uma grande espiã e assassina. Ela usa essas qualidades de qualquer forma para sobreviver, e mesmo sendo uma Vingadora, ela defende os interesses da instituição apenas quando se beneficia com isso ou acredita que é a coisa certa a se fazer. E apesar de não ter um filme solo, ela é coprotagonista do segundo filme de Steve Rogers, Capitão América 2: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier, 2014). Outra personagem relevante no MCU é Gamora, que iremos conhecer melhor no segundo filme dos Guardiões da Galáxia, que estreia semana que vem. A filha adotiva de Thanos o serviu durante anos, mas acabou por se libertar dele e se juntar aos Guardiões para derrotá-lo. Além delas, uma outra heroína está ganhando importância no MCU: Hope van Dyne. A filha de Hank Pym e da Vespa original foi introduzida em Homem-Formiga, e irá assumir o papel da Vespa e dividir o cartaz em igualdade com o herói em Homem-Formiga e a Vespa (Ant-Man and the Wasp, 2018).

Fazendo a ponta entre os filmes e as séries da Marvel, a Agente Carter não é apenas o grande amor do Capitão América, e quem ajudou ele a se tornar um herói. Ela é conhecida por ter fundado a S.H.I.E.L.D. com Howard Stark. Tanto em sua própria série (2015-2016) quanto nos filmes e seriados em que faz aparições, Peggy Carter é retratada como uma mulher forte, inteligente, que luta pelos seus ideais. Durante e após a Segunda Guerra Mundial, ela trabalhava no SSR, uma agência que lutava contra a Hydra. A série Agente Carter retrata o ambiente masculino e machista do SSR e a forma como Peggy precisava lutar muito mais do que seus colegas homens para se impor.

heroína
Hayley Atwell como Peggy Carter. PODEROSAAA.

O seriado Agentes da S.H.I.E.L.D. (Agents of S.H.I.E.L.D., 2013-) desde sua primeira temporada tem um cuidado constante em apresentar um time de agentes equilibrado no que diz respeito a gênero. Inicialmente, Melinda May, Skye e Jemma Simmons dividiam a tela com Phil Coulson, Grant Ward e Leopold Fitz. Quando Lance Hunter se juntou ao time, Bobbi Morse – a Harpia – o acompanhou. O agente Alphonso MacKenzie chegou na segunda temporada e, para compensar esse acréscimo masculino, Elena ‘Yo-Yo’ Rodriguez entrou no time na temporada seguinte. Por fim, pouco depois do doutor Holden Radcliffe ganhar importância na série, sua criação Aida virou o centro das atenções, e o foco de um dos arcos da temporada atual.

Mas não se trata apenas de ter uma porcentagem satisfatória de mulheres na equipe. Elas são importantes na organização. May é uma lenda na S.H.I.E.L.D., além de ser o braço direito do diretor Coulson. Skye foi o foco de várias temporadas, e teve que lidar com muitas situações difíceis: o fato de não ter uma família, a descoberta de seus poderes, o reencontro com seus pais, a perda de um amor. Apesar de uns momentos de fraqueza, ela saiu mais forte de todos esses obstáculos. Simmons, no início da série, era uma cientista com certo medo de autoridade. Mas talvez seja a personagem que mais evoluiu (para melhor) ao longo das quatro temporadas, para se tornar uma mulher confiante, com forte carácter, capaz de discutir ordens. Quanto a Bobbi, que estava em uma espécie de relacionamento com Hunter, nunca deixou esse lado pessoal da vida dela interferir em seu trabalho, e sempre se certifica de que o seu par faria o mesmo. Nesse sentido, Yo-Yo se aproxima dela e é o oposto do clichê da donzela em perigo. Por fim, Aida é uma Life-Model Decoy (uma andróide), que começou a superar sua programação para entender o que ela era, e passou por uma grande transição. Inicialmente um objeto pertencente e obediente ao Doutor Radcliffe, ela aos poucos passou a ter pensamentos e ambições próprias.

As séries da Marvel com a Netflix foram quatro até agora, cada uma focada em um dos Defensores. Entre eles, apenas um membro é mulher: Jessica Jones. Por mais que a protagonista tenha super-força, o que mais a define é sua força de carácter. Jessica foi manipulada por Kilgrave, um vilão com poderes psíquicos que obriga suas vítimas a fazer tudo o que ele pede, e que estava apaixonado por ela. Mas Jessica conseguiu sair deste relacionamento abusivo, e toda a primeira temporada da série explica como e mostra todo o esforço de superação dela.

Jessica Jones heroína
David Tennant como Kilgrave e Krysten Ritter como Jessica Jones.

Apesar dos outros três seriados serem sobre heróis, nos apresentaram heroínas e mulheres importantes para a continuação do universo. Luke Cage introduziu Misty Knight, e o último seriado Marvel/Netflix, Punho de Ferro, pode não ter sido bom, com um herói bem fraquinho, mas pelo menos fomos apresentados a Colleen Wing, expert em artes marciais. As duas heroínas formam uma dupla nos quadrinhos, as Filhas do Dragão (Daughters of the Dragon), que pode vir a ser aproveitada nas futuras séries. Fazendo aparições em todos os seriados até agora (DemolidorJessica JonesLuke CagePunho de Ferro), Claire Temple é uma enfermeira que, além de proteger a identidade dos heróis que ela ajuda, já salvou a vida deles algumas vezes, mesmo que isso a tenha colocado em perigo. Por mais que Claire seja uma coadjuvante leal, ela não deixa de confrontar os heróis que acompanha quando julga que estão cometendo um erro. Outra personagem que aparece em diversas séries é Jeri Hogarth, uma versão feminina do Jeryn Hogarth dos quadrinhos. Uma das melhores advogadas de Nova Iorque, ela é uma mulher forte que se dedica muito ao seu sucesso profissional, fazendo de tudo para chegar no topo. Por fim, a segunda temporada de Demolidor nos apresentou a Elektra. Hum… não, não precisamos falar de Elektra.

Acho que, com esse apanhadão, dá para perceber que, apesar da Marvel ter demorado muitos anos para botar uma mulher no papel principal de um de seus filmes, o universo é repleto de mulheres fortes, sejam super-heroínas ou heroínas do cotidiano. A Capitã Marvel precisa ser complexa e interessante, sim. Mas não precisa ser completamente diferente de tudo o que foi feito, pelo contrário, já que o MCU tem muitas mulheres inspiradoras.