Falange Resenha | Shovel Knight: Specter of Torment

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Mãe Serpente
No início da semana saiu uma edição especial do Falange Indie, sobre um dos maiores sucessos da indústria independente, Shovel Knight (Yacht Club, 2014). Além do resultado da promoção (o anúncio está no fim do texto), a Mãe prometeu também uma análise de todas as novidades que Specter of Torment traz para os jogadores. Depois de passar uma semana sem largar o controle (e fazer tudo duas vezes depois que o ataque do Professor Pirata apagou todos os meus saves), é seguro dizer que Specter of Torment não é só um excelente conjunto de extras. É um novo jogo por inteiro, tão cheio de charme e tão instigante quanto a aventura original de Shovel Knight.

Muitas similaridades…

Não é difícil traçar paralelos entre Specter of Torment e Shovel of Hope, como passou a se chamar a aventura original. A arte pixelada da Yacht Club continua sendo belíssima, e capaz de reproduzir movimentos intricados de maneira clara, apesar da (proposital) baixa definição. A estória do jogo, dessa vez uma prequela, também segue a mesma linha narrativa. No controle de Specter Knight, o jogador precisa atravessar uma fase em plataforma 2D, cheia de inimigos, até chegar a um mestre. Cada fase possuiu uma temática ligada a esse mestre, e mecânicas próprias, às quais o jogador precisa se adaptar.

Shovel Knight - Specter of Torment (3)
Ao invés de um mundo externo, é possível visitar cada fase através de um espelho mágico. Todas as fases, por causa disso, já estão liberadas desde o início do jogo.

A música também retoma a excelente trilha sonora original, com pequenas alterações nas mesmas faixas, que passam a ter um andamento mais acelerado. Tudo de acordo com a agilidade pretendida de Specter Knight. De forma a se adequar à estória da personagem, que é um morto-vivo, os pontos de vida também foram substituídos por Will, “vontade”, e os de magia por Darkness, “escuridão”. Mudanças de nomenclatura apenas, mas que já refletem um jeito diferente de se encarar a nova jornada.

As ferramentas mágicas também estão de volta, agora sendo batizadas de Curios, “caprichos”. Ao invés de estarem espalhadas pelas fases, existe um novo colecionável, as caveiras vermelhas, que podem ser trocadas por novas ferramentas. Como nada é tão simples na vida, comprar um Curios leva o jogador a uma pequena fase em que é preciso utilizar a ferramenta para sobreviver. Isso porque o local é amaldiçoado, e impede o uso de qualquer outra arma. Por quê? É um velho segredo das caveiras…

Shovel Knight - Specter of Torment (3)
Os cenários familiares também ganham novos tons, quase sempre relacionados à noite. Uma mudança que reflete o tom mais sinistro da estória de Specter Knight.

… e grandes diferenças!

A primeira expansão de Shovel Knight, Plague of Shadows (Yacht Club, 2015), era extremamente interessante por utilizar o mesmo jogo base e acrescentar mudanças que pudessem prolongar sua longevidade. O mundo externo permanecia o mesmo, porém cada fase continha pequenas alterações, de modo a se adequar à diferente jogabilidade do novo protagonista, Plague Knight. Existia também um laboratório secreto, que funcionava como a cidade inicial, lotada de NPCs e mercadores. Porém, no mais, Plague of Shadows permanecia igual. Apesar de excelente, a expansão pode ser considerada apenas uma repaginação da aventura original. Depois de dois anos, seria decepcionante se Specter of Torment seguisse pelo mesmo caminho.

É extremamente satisfatório poder dizer que o tempo que a Yacht Club dedicou à produção rendeu uma das melhores expansões de videogames criadas nas últimas décadas. Apesar das semelhanças temáticas, todas as fases foram completamente redesenhadas, com a inclusão de inimigos diferentes, e o acréscimo de novos padrões de ataques a inimigos antigos. Isso vale também para os mestres, que possuem versões mais complexas e dinâmicas de si próprios, adequadas à agilidade de Specter Knight. Mesmo as mecânicas características de cada local sofreram alterações, com a inclusão de desafios ainda mais criativos.

O novo hub é também o melhor cenário externo da franquia até o momento. O número de NPCs é enorme, e existem diversas formas de interagir com personagens e objetos, que em nada se relacionam com os objetivos principais, mas ajudam a dar vida à narrativa. Esse é mais um acerto, já que são os pequenos detalhes que fazem com que um bom universo se construa. E o tratamento cuidadoso dado a coisas que poderiam ser consideradas insignificantes faz com que o jogador se delicie em apenas passear pelas salas da Torre, descobrindo todos os pequenos segredos que as paredes escondem.

A jogabilidade de Specter Knight é um espetáculo por si só. A personagem tem um jeito específico de utilizar sua foice para atacar inimigos, e transpor abismos, que torna o jogo mais rápido e fluido. A mudança rápida da direção de um ataque exige uma concentração maior do jogador, que é recompensada por combates mais intensos e instigantes. Em alguns momentos, faz falta ter total controle sobre todas as habilidades de Specter Knight, como a decisão de escalar ou não muros contra os quais a personagem é direcionada. Mas nada que prejudique a experiência geral do jogo.

Se você foi massacrado por essas bolas de canhão como Shovel Knight, vai encontrar tanta satisfação quanto eu em estraçalhar cada uma delas.

A narrativa

Apesar de evitar spoilers, essa resenha não estaria completa sem um grande elogio à trama de Specter of Torment. O jogo consegue transformar um mestre de fase sem nada mais que poucas linhas de diálogo em uma personagem profunda, cheia de nuances, com motivações e arrependimentos. Essa capacidade de utilizar um cenário aparentemente simples para construir estórias complexas é mais um característica louvável da Yacht Club.

A forma como Specter Knight constrói sua narrativa também é extremamente interessante. A missão inicial, exposta na animação de abertura, é simples: Specter Knight, lacaio da Enchantress, deve encontrar oito cavaleiros dispostos a servir a feiticeira do mal. Em troca, o protagonista irá ganhar a possibilidade de voltar à vida. A forma como Specter Knight se tornou um morto-vivo, e o jeito como a missão principal é afetada por essas memórias, é explorada a partir de flashbacks jogáveis, com direito até mesmo a um mestre especial e único.

Donovan e Luan invadem a Torre do Destino em seções de flashback que contam a origem de Specter Knight.

O original ainda melhor

Specter of Torment ainda incluiu uma série de novos recursos que afetam as versões anteriores do jogo. Além da inclusão de novos desafios, existe, no menu principal, a opção de ouvir cada uma das faixas que compõem a trilha sonora do jogo. Chamado de Sound Test, o recurso é habilitado para cada uma das campanhas depois que elas são concluídas.

O modo cooperativo local, antes exclusivo do Wii U, ficou disponível para todas as plataformas. Agora é possível jogar a campanha inteira com um amigo do lado. A morte de uma personagem é reversível ao toque de um botão, com o preço de pontos de vida do outro jogador. Ou seja, caso um jogador morra quando o outro tem quatro pontos de vida, é possível reviver o jogador morto, fazendo com que ambos passem a ter dois pontos apenas. Para equilibrar o jogo, todos os mestres têm sua barra de vida dobrada. A maior desvantagem desse modo é que ele está disponível apenas para Shovel of Hope, pelo menos por enquanto. Outra desvantagem é que se você não tiver nenhum amigo que jogue bem, é provável que o jogo se torne ainda mais difícil. (Sim, Náusea, a indireta é para você.)

Ao final de cada fase cooperativa, é possível ver qual jogador matou mais inimigos, morreu mais vezes e coletou mais dinheiro. A pontuação decide um vencedor. (Verde, Náusea… viram a relação?)

A possibilidade de controlar o gênero das principais personagens é tão intuitiva e interessante quanto se podia esperar. A qualquer momento, no menu do jogo, é possível decidir qual o gênero desejado para cada um dos mestres, o protagonista Shovel Knight e sua companheira Shield Knight. Uma coluna separada define como os pronomes, masculinos e femininos, devem ser utilizados para a personagem em questão. Infelizmente, esse é mais um recurso que só está disponível em Shovel of Hope. Mas a genialidade da ferramente Body Swap é tamanha que fica aqui a torcida da Mãe de que ela possa ser implementada em todas as campanhas em uma expansão futura.

Promoção Falange Indie

Na terça-feira, junto com o Falange Indie sobre Shovel Knight, a Falange também lançou o sorteio de um quadro exclusivo da Bastille, pintado à mão em acrílica sobre tela. Olha só que lindo que o quadro ficou.

Para concorrer, era necessário apenas comentar a publicação do Facebook com os dizeres “Shovel Justice!”. Como o site ficou fora do ar um tempo (maldito Professor Pirata!), tivemos apenas doze inscritos na promoção. Não existia forma melhor de decidir o vencedor que lançar um bom e velho dado D12, com doze lados (o orgulho dos bárbaros).

Parabéns, Missewinn Falls! Agora é só entrar em contato com a Falange (ou com a Mãe) e nos dizer para qual endereço podemos enviar seu quadro. Não esquece de enviar uma foto para a gente quando receber o presente. Estamos curiosos para saber como o quadro vai ficar pendurado em sua casa. Espero muito que goste!

  • Ahh parcêro… não mete essa! Ninguém me ganha no Rally X, no Street é covardia e no King of Fighters é Choi tirando ficha direto!