Falange Resenha | Os Smurfs e a Vila Perdida

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Vinheta BastilleBonjour! O mais recente longa animado dos Smurfs sai hoje, dia 6 de abril, nas telonas brasileiras. E o filme não conta apenas uma jornada dos duendes azuis fora de sua vila. É sobre achar seu lugar na sociedade, principalmente quando se é mulher.

Um roteiro simples que funciona

O filme já começa apresentando os membros e mostrando o quão Smurfette é diferente dos outros. A única menina do grupo não tem uma função definida e sua origem é diferente da dos demais – já que ela não é uma Smurf “de verdade”, ela foi criada à base de argila e feitiços. Mas logo a trama se volta para a aventura, com a descoberta da existência de outros Smurfs. A informação chega aos ouvidos do vilão Gargamel, e Smurfette, Gênio, Robusto e Desastrado decidem fugir do vilarejo em busca da Vila Perdida, com o objetivo de encontrar os outros duendes e avisá-los dos planos de Gargamel de capturá-los. As dificuldades são muitas, mas no fim, inevitavelmente, tudo dá certo. Afinal, estamos falando de um filme para crianças.

Humor e beleza dos cenários

Ao contrário de Os Smurfs (The Smurfs, 2011) e Os Smurfs 2 (The Smurfs 2, 2013), outros filmes da franquia da Sony, essa nova película é inteiramente animada – nada de misturar animação e live-action – e focada apenas nos Smurfs. O que é muito bem-vindo. A animação é muito bem realizada, e valoriza a natureza, com cenários lindos. O porém aqui é o uso do 3D que, apesar de embelezar os cenários, se restringe ao mínimo, com pouquíssimo uso criativo. Uma pena, já que podia ter sido utilizado para aumentar a imersão dos espectadores.

O filme também aposta no humor, com incontáveis piadas e trocadilhos, e até uns acréscimos visuais nada realistas que homenageiam os quadrinhos, como estrelas em cima da cabeça de quem está tonto. O melhor é quando o humor absurdo e a natureza se juntam. O exemplo mais divertido é Snap, uma joaninha que é usada para tirar fotos – que reproduz desenhando no chão com suas patas – e gravar faixas de áudio – que toca depois com suas asas.

Uma exceção na trilha sonora

O longa conta com músicas pop bem genéricas. A trilha sonora até pode agradar crianças, mas não deve ficar nas memórias por muito tempo. O que não é um problema, já que, ao contrário de animações da Disney, por exemplo, Os Smurfs e a Vila Perdida não tem a pretensão de ser marcante por suas músicas. Dentre as escolhas musicais, a única que se destaca é a clássica Blue, da banda italiana Eiffel 65. Sim, sim, teve aquele refrão que todos já cantamos de um jeito mais ou menos certo – I’m blue, da ba dee dabba da… e foi muito bem vindo! Até porque a cor-tema da música se adequa aos duendes azuis, além do som ser agradável e leve, assim como o filme.

Smurfette e o lugar da mulher

Mas vamos voltar ao que mais interessa: nossa heroína. Seus colegas de aventura Gênio, Robusto e Desastrado, assim como todos os habitantes do vilarejo, possuem um nome que indicam seu maior traço de carácter e seu papel na pequena sociedade. A única coisa que o nome de Smurfette diz sobre ela é que ela é uma menina. Com isso, ela passa por dificuldades em se auto-definir, e em saber de que forma ela pode contribuir no vilarejo. A aventura na qual ela embarca não é apenas uma busca pela Vila Perdida, mas também uma busca identitária. E a Vila Perdida vai ajudar ela nisso.

Não há como continuar a falar de Smurfette sem dar alguns spoilers. Melhor pular para depois da imagem se quiser ter algumas surpresas ao ver o filme.

Ao contrário do vilarejo de Smurfette, a Vila Perdida é povoada apenas de mulheres (guerreiras)! E essa nova convivência ajuda ela a descobrir sua feminidade. As mulheres da Vila têm características e atividades que não caem nos clichês. Claro que podem cuidar da beleza com máscaras faciais e manicure e usar flor no cabelo. E também podem malhar, e até serem mais fortes do que Robusto.

Smurfette é diferente dos outros Smurfs, pois ela é feita de argila. E é justamente essa diferença que a torna capaz de derrotar o Gargamel – algo que os outros Smurfs não conseguem – e livrar os dois vilarejos do perigo. Ao sacrificar-se para salvar a todos, ela demonstra que sua maior qualidade é a generosidade. E a falta de medo. Alguns dizem que sua característica principal é a beleza. Há tantas palavras para descrevê-la. Mas as melhores são a de Robusto: “A Smurfette pode ser tudo o que ela quiser ser“.

Gênio, Desastrado e Robusto ajudam Smurfette em sua dupla jornada.

Vale a pena assistir a Os Smurfs e a Vila Perdida?

Admito. Eu não estava muito animada com esse filme. Mas o resultado final e sua mensagem me surpreenderam e fizeram a experiência valer a pena. Sim, nós podemos ser tudo o que quisermos. E tanto as crianças como os adultos precisam saber disso. Filmes infantis que valorizam uma protagonista feminina são importantes para naturalizar essa ideia de que meninas e mulheres não precisam se encaixar em nenhum papel específico. E Os Smurfs e a Vila Perdida propaga essa mensagem de uma forma leve e divertida.

Ah!

Quando o filme acabar, não vão embora. Fiquem até o final e verão uma ótima cena do Gargamel comentando os créditos com seus capangas! 😉