Professor Girafales | No Céu tem xícara de café?

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Hoje, eu dei um pulo da minha luxuosa poltrona. Recebi uma notícia que, pra mim, foi chocante, em uma mensagem de áudio que julgava inofensiva. Rubén Aguirre, o inesquecível Professor Girafales, morre aos 82 anos.Quem deu a notícia “ao mundo” foi ninguém menos que Edgar Vivar, o Senhor Barriga, no Twitter. E eu, na cúpula do Covil Secreto da Falange, ouvindo as mensagens de voz de meus companheiros, fui recebido com uma pancada pior que qualquer uma já levada pelo obeso cobrador de aluguéis… a mensagem da partida do nosso eterno Professor, mensagem esta que me deixou nauseado (talvez vocês já imaginam quem foi o responsável pelo modo nada delicado de se anunciar tal falecimento). Por fim, coube a mim a missão – e eu faço com um desprazer inenarrável – de dar o nosso adeus a este ícone da comédia mundial.

A primeira pergunta que me fiz foi se isso era mesmo verdade. A primeira etapa é a negação, afinal. Mas era verdade, é a verdade, foi hoje, dois dias depois de seu 82º aniversário. A segunda pergunta, essa vocês já devem imaginar, certo? “Por que causa, razão, motivo ou circunstância nosso querido professor nos deixou?”. A resposta é que ele estava com vários problemas de saúde. A idade vem, e ela é impiedosa. Diabetes, cálculo na vesícula, problema de coluna… e a mais recente diaba, pneumonia. Não era de hoje que nosso professor Girafales carregava mais do que o peso da própria altura nas costas.

prof-girafalesMuito embora a notícia seja sim devastadora, a intenção aqui é tentar fazer você, leitor, encontrar forças junto comigo pra suportar mais essa perda. E, felizmente, Rubén Aguirre poderá nos ensinar o caminho para passar por cima dessa dor, já que aritmética ele não conseguiu ensinar. Ele foi um homem que dedicou sua vida a nos fazer rir. A nos trazer alegrias. Dedicou sua vida “à criança que amanhã será homem, a semente que amanhã será fruto, ao casulo que amanhã será mariposa”. Então, no dia de sua morte, embora possamos chorar… deveríamos também nos lembrar do legado do Mestre Linguiça e sorrir. Portanto, os próximos dois parágrafos serão para homenageá-lo. Minha homenagem pessoal, eu, Amethysto. E nossa homenagem sincera, nós, a Falange. Além disso, somente ler não tem a mesma graça de vê-lo em ação. Aqui, em nossos smartphones, PCs, notebooks, ele será jovem, alto, saudável e eterno.

Professor Girafales, aquele também conhecido como Trilho em Pé, Tobogã de Salto Alto, Intestino Desenrolado, Mangueira de Bombeiro, Espingarda de Chapéu, Coluna da Independência, Bacalhau Reumático, Semelhante Coisona ou Quilômetro Parado…. mas todos nós sabíamos seu nome, afinal… “Não sou professor e nem meu nome é Linguiça! Sou Linguiça, e meu nome é Professor!”. Ele, que já lecionou para Chaves, Chiquinha, Nhonho, Godinez, Seu Madruga… que já tive alunos bons, regulares, ruins, péssimos e o Quico (mas não se preocupe, é provável que haja piores). Ele, que jamais se engana. Se enganou apenas por uma única vez… aquela em que pensou estar enganado. Ele, que em meio à sua vida dedicada ao saber, ainda encontrava espaço para ser um ícone do romantismo. Um gentleman, um galanteador. Talvez, um pouco repetitivo (outra vez flores?!), mas sempre com uma boa razão (outra vez café?! É por isso que ele só traz flores!). Afinal, ele sempre se encantava, de novo e de novo, pelos olhos da mesma mulher, sua amada… como era mesmo o nome dela? Dona Catapora? Dona Porcaria? Dona Micróbio? Dona Xirimóia? Dona Metáfora? Dona Biquíni? Dona Aposentada? Dona Florinda? Dona Massacote? Ah, lembrei! Era Dona Espingarda mesmo.

maxresdefaultLembro-me de um episódio em que o Professor Girafales vivia dizendo aos alunos que estudassem, e o Godinez questionava repetidamente “Mas por que, se ainda não é a hora de começar a aula?”. Hoje, meus caros… hoje foi o dia de terminar o ano letivo. Acabaram as aulas, nosso mestre foi embora. Ele certamente será recebido de braços abertos no céu. Eu consigo vê-lo nitidamente levando um ramalhete de flores em respeito a Deus. Acanhado, perguntando se não será muito incômodo entrar ali. E, com um tranquilo sorriso (ou talvez uma animada gargalhada), Deus lhe dirá que não é um incômodo e irá convidá-lo para uma xícara de café no céu. E lá ele irá repousar… pois, se há um episódio intitulado “Ser professor é padecer no inferno”, eu tenho plena certeza de que o inferno daquelas aulas já passou, e o nosso querido professor finalmente alcançou o paraíso, de onde ele irá olhar para cada um de nós, que o temos como uma inspiração, e confirmará o que ele certamente já sabe: que seu trabalho aqui foi incomparável, soberbo, magnífico. E, agora já podemos levantar como a Dona Florinda e aplaudir o nosso Professor Girafales gritando: “BRAVO!! BRAVO!! BRAVO!!”.