Falange Resenha | The End is Nigh

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Mãe SerpenteEdmund McMillen é um nome conhecido por qualquer pessoa que acompanhe a produção independente. E muito conhecido mesmo fora desse círculo. Uma mente extremamente produtiva, McMillen é o idealizador de Super Meat Boy, junto de Tommy Refenes (2010) e The Binding of Isaac, junto de Florian Himsl (2011). The End is Nigh, novo título de McMillen, também foi desenvolvido por uma parceria, com Tyler Glaiel, o criador de Closure (2012). Mas, ainda que os companheiros de trabalho mudem, algumas características se repetem em todos os projetos de McMillen. Primeiro, a identidade visual. Segundo, a dificuldade de cada jogo. Para o bem ou para o mal, The End is Nigh não se diferencia nesses dois aspectos, e mantém a tradição do desenvolvedor.

Super Ash Boy

Em The End is Nigh, o jogador controla Ash, um dos únicos sobreviventes do apocalipse. Ash passa os dias trancado em seu quarto, jogando videogames. Mas, quando seu cartucho se torna defeituoso, Ash decide sair em busca de um amigo. Para montar um amigo, Ash precisa de uma cabeça, um corpo e um coração. Para conseguir isso, Ash terá que atravessar o mundo destruído, cheio de criaturas, espinhos, prédios desmoronando, água corrosiva, lâminas giratórias… não existe limite para a criatividade de McMillen quando o objetivo é criar perigos para os jogadores.

Ash, no jogo The End is Nigh, mostra uma lista de como construir o amigo perfeito: uma cabeça, um corpo e um coração.
Um coração, uma cabeça, um corpo, e videogames. Junte tudo, misture bem e já está pronto! Mais rápido que receita de liquidificador.

Apesar da similaridade gráfica, não há muito de The Binding of Isaac em The End is Nigh. O jogo, ao invés disso, remete diretamente a Super Meat Boy. Ambas as produções utilizam uma estética em 2D, e são jogos de plataforma com controles extremamente responsivos. Mais do que a característica de um bom jogo de plataforma, controles acurados são essenciais para sobreviver nos jogos de McMillen. Isso porque cada fase exige um tempo rápido de resposta e precisão milimétrica do jogador. A memória muscular é essencial para progredir no clássico de 2010 e no título mais recente.

The End is Nigh também é dividido em fases. Fases principais, que se agrupam em mundos. Fases secretas, acessadas em caminhos alternativos. E fases ainda mais secretas, que se abrem depois que determinada exigência é cumprida no jogo principal. Ao longo das fases, também é possível coletar objetos específicos, que exigem ainda mais capacidade de planejamento e adaptação do jogador. É até redundante dizer que a morte está presente no centro da jogabilidade, e que é possível morrer centenas de vezes em poucas horas. The End is Nigh, no entanto, não é uma cópia de Super Meat Boy. E, em muitos aspectos, supera seu antecessor.

Excelência por si próprio

Ao contrário de Super Meat Boy, as fases de The End is Nigh são interligadas. Não se trata de um desafio separado, acessado individualmente por um menu. Cada fase representa uma tela específica. Chegar ao final da tela faz com que Ash avance para a próxima fase de forma automática. Os cenários, então, possuem caminhos secretos e paredes invisíveis. Isso permite a inserção de elementos de exploração, e o jogador deverá passar horas revirando cada mundo se quiser encontrar todas as passagens escondidas, e todos os colecionáveis.

Cada colecionável também ganhou maior importância em The End is Nigh. Ao invés de bandagens, que habilitam novos personagens jogáveis, Ash precisa coletar tumores. Todas as fases principais possuem um tumor, obrigatoriamente. Além disso, cada mundo esconde super tumores, que valem cinco dos pequenos colecionáveis. Alguns desses colecionáveis exigem apenas que o jogador salte e se agarre de forma ágil, outros incorporam elementos de puzzle, em que a resolução de um problema se faz necessária. Os tumores garantem a passagem para determinadas áreas extras, em que é possível coletar cartuchos para o videogame de Ash. outros cartuchos se encontram em zonas secretas.

Fase secreta de The End is Nigh, onde é possível encontrar um dos cartuchos colecionáveis que liberam novos minigames.
Mais difíceis que as fases normais, as fases secretas desbloqueadas com tumores sempre guardam um novo cartucho.

A ideia de fases retrô, ou de fases baseadas em outros jogos, introduzida em Super Meat Boy, foi ampliada em The End is Nigh. Existem cartuchos colecionáveis espalhados pelo mundo, e cada cartucho habilita um novo jogo a partir do videogame de Ash. O princípio da plataforma também é o que guia esses minigames, mas cada cartucho habilita novos desafios. Com novas formas de morrer. Isso significa que mesmo os amantes mais experientes da plataforma têm muito trabalho pela frente, caso desejem chegar ao final do jogo e ver tudo o que The End is Nigh reserva. E para os que não possuem reflexos de plataforma tão aguçados, como a Mãe, podem esperar dezenas de horas até conseguir chegar ao primeiro final.

Uma das fases retrô acessíveis em The End is Nigh. Cada minigme representa um dos jogos encontrados por Ash.
O gráfico retrô é uma homenagem aos videogames antigos, até mesmo ao simular a distorção da tela dos televisores de tubo.

O fim está próximo!

Para além da jogabilidade, The End is Nigh é um dos jogos mais bonitos lançados nos últimos meses. Não porque possua gráficos brilhantes e reluzentes, mas porque todas suas características estéticas trabalham em harmonia para construir o panorama pretendido. O traço simples dos desenhos não atrapalha em nada na criação de cenários variados, todos que demonstram o desespero de um mundo que chegou ao seu fim. Não existe, no entanto, um clima pesado. Pelo contrário, toda a narrativa é contada com muito humor. Nada inesperado, depois de The Binding of Isaac ter referências hilárias em meio a uma estória baseada em tudo o que há de mais grotesco no imaginário cristão.

Uma das telas do jogo The End is Nigh, no mundo inicial.
Uma das primeiras fases do jogo. Isso é o fácil.

Se McMillen te convida a rir do demônio e da ideia de sacrificar seus próprios filhos com uma faca, não poderia ser diferente com o apocalipse. Todos os diálogos mantém o sarcasmo habitual dos jogos de McMillen. E os poucos NPCs que se encontra pelo jogo ajudam a traçar uma versão sarcástica e ácida do fim dos tempos, da vida humana, e das prioridades que se tem enquanto tudo rui a seu redor.

É preciso elogiar também a incrível trilha sonora original, composta por Ridiculon. A participação especial de Rich Evans como a voz de Ash também merece uma nota própria. Apesar de surgir em poucos momentos, a dublagem ajuda na construção do cenário, e no carisma que o herói caolho possui.

Gameplay da Mãe | The End is Nigh

A Mãe fez um gameplay especial de The End is Nigh logo após o lançamento do jogo. Como já virou costume, todo novo jogo que a Mãe começa tem um vídeo especial publicado no canal de YouTube da Falange. Nesses vídeos, a Mãe tenta mostrar um pouco do que trata o jogo em questão. E o bônus para os mais sádicos é ver a Mãe morrer diversas vezes, e cometer erros graves, já que ainda não conhece o jogo. Não deixe de se inscrever no canal da Falange para receber em primeira mão todo o conteúdo em vídeo publicado.