Falange Resenha | Stranger Things

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JanoOlá, pessoal! Jano aqui, dessa vez fazendo uma participação inédita no Falange Resenha! Nessa semana, vamos nos aventurar nas dimensões alternativas das ciências de fronteira (fringe science) de Stranger Things, o mais novo seriado original da Netflix.

Porque essa série teve tanta repercussão? O que faz dela tão especial? A internet está zumbindo com comentários e muitas versões e explicações do porquê esta série ter tido tanto sucesso; esta crítica pretende dar algumas dessas repostas. Segura então na mão de Jano e vem, porque a viagem vai ser longa, com direito a dimensões paralelas alienígenas e boas referências aos anos 1980.

Stranger Things debutou na Netflix no dia 15 de julho já com seus oito primeiros episódios no ar, e o fôlego da série parece inesgotável. Desde então, sempre quando Jano abre seu novíssimo perfil no facebook para dar uma espiada em como andam as vidas dos seus amigos humanos, eis que me deparo com inúmeras referências à série, muitos comentários positivos e juras de amor eterno.

Para alguém que, como eu, sempre foi fã de séries de ficção científica, isso é perfeitamente compreensível. No entanto, parece que o alcance de Stranger Things foi muito maior do que a a maioria das séries de hoje, e me lembra outra série, dos anos noventa: Arquivo X.

A recepção desta série em 1993 foi bem parecida com a nova produção da Netflix. Ela ainda tem fãs inveterados nos dias de hoje. No entanto, Arquivo X tinha uma pegada bem diferente, de investigação policial, e as similaridades acabam apenas no fato das duas compartilharem temas parecidos e pela sua repercussão quando foram lançadas.

Outra série chamada Fringe, que teve a sua estréia em 2008 e foi dirigida pelo renomado J.J. Abrams, teve bem menos repercussão do que Arquivo X, mas tratou de questões muito próximas do que vemos em Stranger Things. Os mesmos problemas são abordados, a questão da ciência praticada fora dos limites éticos, os mundos paralelos, até as experiências polêmicas de expansão de consciência com o uso de drogas psicotrópicas promovidas por cientistas ligados ao governo americano durante a Guerra Fria.

No entanto, Fringe nunca teve a mesma aceitação do público, principalmente do brasileiro, e esse número expressivo de compartilhamentos espontâneos nas redes sociais. Apesar de recomendar fortemente as duas séries que falei aqui a todos os espectadores de ficção científica, passarei a seguir a tratar das razões de porque Stranger Things é especial.

Stranger Things se identifica com espectadores de todas as idades.

O elenco da série é bem dividido por protagonistas que representam todas as faixas etárias. Principalmente, representando o público que mais assiste séries nos dias de hoje. As crianças, ou o público pré-adolescente, é atraído pelas questões enfrentadas pelas personagens Dustin, Mike e Lucas (Gaten Matarazzo, Finn Wolfhard e Caleb McLaughlin); já o público adolescente conta com o trio Nancy Wheeler, Jonathan Byers e Steve Harrington (Natalia Dyer, Charlie Heaton e Joe Keery).

Na série, vemos representadas todas as faixas etárias que mais consomem esse tipo de porduto.
Na série, vemos representadas todas as faixas etárias que mais consomem esse tipo de porduto.

Já para o drama adulto, temos o chefe de polícia Jim Hopper e a mãe do menino desaparecido, Joyce Byers (David Harbour e Winona Ryder). Nenhuma dessas estórias em si dariam um enredo muito inovador, no entanto, o que é interessante em Stranger Things é como a série consegue combinar as estórias de todas as personagens em um roteiro coerente e que agrade todos os públicos. Isso que é realmente inovador e muito difícil de fazer com tanto êxito como vemos realizado na série.

Stranger Things mistura a nostalgia dos mais velhos com a empolgação dos mais novos.

Nostalgia, caso precise explicar com mais detalhes, é aquilo que faz com que “marmanjões” e “marmanjonas” na casa dos seus trinta anos de existência se agitem nas cadeiras dos cinemas ao redor do mundo ao ver uma referência a algo que marcou a sua infância passar como quem não quer nada, diante de seus olhos.

Alguns filmes recentes foram capazes de utilizar esse elemento com êxito para fazer justamente a mistura entre a nostalgia dos mais velhos com a empolgação de ver algo novo sentida pelos mais novos. Isso aconteceu com o novo episódio de Star Wars: O Despertar da Força e também com Ghostbusters. A ilustre equipe da Falange discutiu esse fenômeno no último FalangeCast (só clicar para o link) sobre o filme dos caça fantasmas que foi ao ar no dia 20 do mês de julho.

Star Wars, filme que também combinou nostalgia com novidades na medida certa.
Star Wars, filme que também combinou nostalgia com novidades na medida certa.

Stranger Things também realiza essa mágica que une gerações, propiciando com que um sujeito com uma certa carga de idade (não vamos falar velho), ao assistir a série com seu primo mais novo, possa dizer: “Senta, garoto! Vou te contar como era ser criança na minha época”.

Desde referências aos livros do Senhor dos Anéis — e são muitas— até a jogos de RPG de mesa, como Dungeons & Dragons, vemos de tudo na série. Ela é um verdadeiro tributo aos anos 1980; a sua trilha sonora, cuja composição é original, lembra o filme de 1982, Tron. As cenas e a localidade de Indiana nos remetem aos filmes de Steven Spielberg e os livros de Stephen King, e tudo isso se combina para criar quase um êxtase de nostalgia para quem viveu essa época.

Em Stranger Things, vemos referências a este excelente RPG de mesa que é Dungeons & Dragons.
Em Stranger Things, vemos referências a este excelente RPG de mesa que é Dungeons & Dragons. Os garotos estão sempre jogando, quando não estão procurando Will Byers é claro!

Conclusão

Como toda experiência de referência, esta série precisa ser compartilhada, todos esses elementos nostálgicos servirão para criar laços entre as gerações que assistem a série, compartilham e se identificam com ela de alguma maneira. Esse, para mim, é o grande poder de Stranger Things e o porquê dela já ser uma série excepcional.

O único problema que posso vislumbrar é decorrente do jeito que foi feito o desfecho da primeira temporada, que pode acabar por comprometer as próximas temporadas da série, já que não há ganchos muito evidentes. Pode ser que a série tenha esgotado as suas possibilidades de forma muito precipitada e que nas próximas temporadas o interesse fique cada vez mais restrito devido ao enfraquecimento da trama central. Mas fiquemos na torcida para que isso não aconteça!