Falange Resenha | Shadow Bug

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Mãe SerpenteJá imaginou que era um inseto treinado nas artes ninja? Já quis utilizar espadas e piruetas para derrotar robôs gigantes? Não? Nem a Mãe. Mas depois de pouco tempo, Shadow Bug consegue mostrar que um jogo desenvolvido inicialmente para smartphones consegue ser bonito, divertido e desafiador.

Shadow Bug | Das telinhas para o computador

O Muro Studios é uma pequena desenvolvedora finlandesa, que começou a ser construída quando alguns de seus integrantes ainda estavam na universidade. A empresa existe desde 2015 apenas, e Shadow Bug foi o segundo projeto criado pela Muro. A escolha inicial dos desenvolvedores foi lançar o jogo para celulares. Por isso a jogabilidade de Shadow Bug é extremamente acessível. Em telas táteis, basta tocar no alvo para que o inseto ninja cruze a tela, e todas as barreiras que vê pela frente, para atacar um inimigo. No computador, um pequeno vaga-lume serve de cursor, e pode ser controlado com o mouse ou com uma alavanca de controle. O fim é o mesmo: utilizar os inimigos para definir o movimento do inseto, e, assim, chegar ao final da fase.

A Mãe vai admitir: no início, Shadow Bug não empolgou muito. Os primeiros níveis são simples, lineares, e repetitivos. A sensação é de que Shadow Bug é apenas um jogo genérico de celular. Apesar da belíssima composição visual, e de uma edição sonora precisa, a jogabilidade não parece ter muito para oferecer. A Mãe estava errada em sua primeira impressão do jogo. E a ilusão da facilidade se dissolveu rápido com a primeira fase dedicada a um mestre.

Uma fase avançada de Shadow Bug, cheia de lâminas giratórias e armadilhas de laser
Não se iluda com as primeiras fases. ‘Shadow Bug’ rapidamente se torna desafiador. Não o suficiente para afastar jogadores casuais, mas de forma a tornar cada vitória satisfatória.

Se as fases de Shadow Bug se tornam cada vez mais complexas e interessantes, é nos mestres que o jogo brilha. Cada um dos seis chefões de fase representa um desafio único. É preciso memorizar o padrão de ataque de cada um deles, e procurar inimigos menores na fase que possam servir de apoio para a movimentação do inseto ninja. Mais do que reflexos rápidos, Shadow Bug exige a observação atenta do cenário, e a antecipação de como o inseto irá se mover. Isso porque qualquer descuido significa a morte. Sem pontos de vida, receber um golpe, ou saltar de forma errada na direção de obstáculo significa que o jogador precisa começar a batalha do zero.

Para quem não se incomoda com spoilers, a Mãe preparou uma gameplay completa de todos os mestres do jogo.

Lasers, botões e alavancas

O maior mérito de Shadow Bug é entender suas próprias limitações, e utilizar essas limitações como um desafio para implementar recursos cada vez mais variados. Sem mudar em nada a jogabilidade inicial, cada fase representa um novo desafio. As mecânicas introduzidas nível a nível são simples, mas eficazes. Alavancas ativam elevadores, abrem portões ou desligam lasers. Caixas podem ser empurradas sobre botões ou servir de escudo para projéteis inimigos. Chaves e cartões de segurança precisam ser coletados para permitir que áreas específicas possam ser acessadas. E quanto mais todos esses recursos se misturam, as fases ganham dimensões maiores, e a linearidade se perde.

Para aumentar o desafio, as fases também escondem itens especiais, que podem ser coletados em troca de muitos pontos, ou pelo simples prazer de zerar o jogo completo. Pontos são necessários para conseguir uma das shurikens de cada fase, um marcador de desempenho que também pode ser coletado pelos complecionistas, ou por quem gosta de um desafio extra. Terminar uma fase te dá o ranking de uma shuriken; terminar a fase com um número determinado de pontos, duas shurikens; para conseguir as três possíveis, é necessário também completar a fase abaixo de um limite de tempo.

A adição de cada vez mais elementos, além de aumentar a dificuldade do jogo, também tem um efeito narrativo. A estória de Shadow Bug é simples, porém eficaz. Uma fábrica se instala ao lado de um bosque, e começa a produzir resíduo tóxico e a devastar a floresta. No início, o inseto ninja precisa desviar de espinhos, e combater inimigos robóticos que derrubam árvores. Aos poucos, os inimigos passam a incluir também criaturas mutantes com a radiação, e dispositivos de segurança da fábrica. É uma forma interessante de contar uma estória sobre preservação ambiental e equilíbrio com a natureza, sem que seja necessário nenhum texto explicativo ou cutscenes. Até mesmo os créditos são interativos, e formam uma fase própria.

Uma fase inicial de Shadow Bug, que se passa na floresta, mas de onde é possível ver a fábrica ao fundo.
Antes de mesmo da jornada do inseto chegar chegar até a fábrica, ela já se impõe como um adversário ao fundo.

A ausência de barreiras linguísticas é também uma forma de universalizar a mensagem. Além de possibilitar a disseminação de um título por todo o globo, sem a necessidade de gastos com tradução, o que pode ser um impeditivo para estúdios recém formados. De uma forma geral, Shadow Bug é uma excelente diversão ocasional, com desafios suficientes para aumentar sua jogabilidade. A um preço acessível, somente a direção artística já valeria a compra. Ainda bem que todos os elementos do jogo também contribuem para a experiência.

Gameplay da Mãe | Shadow Bug

Como já virou hábito, a Mãe preparou uma gameplay comentada de quando estava conhecendo Shadow Bug. Os primeiros 15 minutos do jogo se estendem até o primeiro mestre, e permitem entender melhor como funcionam as mecânicas de Shadow Bug, e qual é todo o potencial do projeto. Não deixe se inscrever no canal de YouTube da Falange para receber as novidades em primeira mão.