Falange Resenha | Seasons after Fall

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Mãe SerpenteSeasons after Fall saiu para PC no dia 2 de setembro de 2016. Mais de oito meses atrás. Agora, no dia 16 de maio, o jogo foi finalmente liberado para Playstation 4 e Xbox One. Isso deu a oportunidade para a Mãe finalmente experimentar Seasons after Fall, mesmo porque, por conta do lançamento, a Falange recebeu uma cópia do jogo. Não se preocupem, assim como no caso de Shiness: The Lightning Kingdom, a cópia gratuita não muda a seriedade da resenha. No geral, Seasons after Fall chega para competir com dezenas de outros puzzle plataformas, mas se destaca pela sua arte única, apesar de falhas graves de design.

Direto e bem feito

A proposta de Seasons after Fall não foge muito do que já foi visto inúmeras vezes em plataformas com elemento de puzzle. É necessário navegar pelo cenário para encontrar objetos ou chegar a locais específicos, e, para isso, o jogador deve utilizar habilidades diferentes que alterem o cenário. Essas habilidades, no caso, estão relacionadas às quatro estações. O inverno congela a água, transformando o líquido em um apoio para alcançar lugares altos. Verão e primavera se alternam entre calor e chuva para fazer com que o nível da água suba ou desça. Cogumelos crescem no outono. Mesmo que o conceito não seja necessariamente original, o resultado final é muito bem produzido. Contribui para isso o minucioso trabalho gráfico.

Depois de adquiridas, as estações podem ser modificadas a qualquer momento pelo jogador. Imediatamente, todo o mundo de Season after Fall se modifica para corresponder à mudança realizada. Cada estação tem um padrão de cores próprio, e modifica a textura do terreno, do plano de fundo e dos objetos. As interações também são bem animadas, e sofrem alterações de acordo com a estação escolhida. É fácil perceber que a maior preocupação do jogo foi, justamente, com seu visual.

Seasons After Fall
O primeiro impulso da Mãe em descrever as estações é dizer que o outono é sempre igual, as folhas caem no quintal… Desculpem. Baixei o nível.

Acho que já vi esse lugar…

A primeira coisa que pode desagradar jogadores é a falta de variedade nos cenários e objetivos. Com toda a exploração necessária, ainda é possível terminar o jogo e assistir a ambos os finais em pouco mais de quatro horas. Essa talvez tenha sido a motivação principal por obrigar o jogador a percorrer, a pé, os mesmos cenários diversas vezes, ao invés de disponibilizar algum recurso de transporte rápido. Cada área precisa ser visitada pelo menos três vezes, para cumprir os objetivos principais. Primeiro, é preciso encontrar o fragmento de estação que habilita seu controle. Depois, o totem que guarda o vento correspondente àquela estação. Por fim, o altar de cada Guardião.

Seasons After Fall
A Enguia, o Guardião da Primavera. Não à toa, à Primavera estão associadas as habilidades da chuva, que aumenta o fluxo de água em vários locais.

As áreas sofrem pequenas expansões, com seções extras a cada nova etapa da exploração. Apesar disso, refazer o mesmo caminho sempre pode se tornar cansativo no fim do jogo. Além de objetivos principais, há também um Sonho escondido em cada uma das áreas, e uma série de botões que podem ser tornados flores com um toque. Encontrar os quatro sonhos permite ao jogador assistir ao segundo final do jogo. Já as flores desbloqueiam poucas artes conceituais, com uma visualização simples a partir da seção “extras” do menu inicial de Seasons after Fall. Achar todas as flores é mais monótono do que difícil, e o esforço de possuir todas definitivamente poderia ter uma recompensa melhor.

Os problemas do som

A ideia de Seasons after Fall é de ser um jogo relaxante, em que é possível navegar pelo cenário e apreciar os detalhes que são modificados pela influência das estações. Para garantir este efeito, é até mesmo impossível morrer; Seasons after Fall não se trata de desafios, mas sim de descoberta e contemplação. Infelizmente, é difícil apreciar o cenário quando se é constantemente interrompido por um narrador que faz comentários óbvios. A primeira parte do jogo tem a contribuição constante, e irritante, de um narrador que serve de guia, tanto para os objetivos quanto para a compreensão do mundo fantástico de Seasons after Fall. O resultado final é a subestimação do jogador, que não consegue ser parte ativa das decisões, e da interpretação da narrativa. Um efeito nocivo, similar àquele de Nihilumbra (2012, BeautiFun Games).

A escolha, aqui, poderia ser justificada pelo alcance esperado de um público infantil. O gráfico do jogo se assemelha a um livro de aquarela. A estória busca referência em contos infantis, com animais antropomorfizados, pouca violência e ausência de conflitos complexos. Até mesmo a ausência de perigo, já que não há possibilidade de perder o jogo, é um atrativo para esse público. É um erro, no entanto, fazer com que, na tentativa de guiar ao máximo, a narração diminua a possibilidade de crianças de exercitarem sua curiosidade, e serem criativas. Essas características devem ser estimuladas, e não reprimidas pela insegurança de que crianças não sejam capazes de descobrir os caminhos sem direções explícitas.

Seasons After Fall
Os puzzles são simples, como controlar o nível de um geizer antes de congelá-lo para fazer uma plataforma que permita progredir no cenário. Nenhuma dificuldade para adultos, mas um ótimo desafio para crianças.

Por sorte, esse incômodo dura apenas uma hora, já que, depois de uma longa introdução, os quebra-cabeça começam a se tornar mais complexos e a narração aparece de forma cada vez mais rara. O outro problema do som, no entanto, é mais persistente. A trilha sonora original de Seasons after Fall é belíssima, mas sua introdução nos cenários ocorre de forma aleatória, e apenas por breves períodos. Não é incomum atravessar toda uma seção do cenário acompanhado apenas pelos barulhos da raposa e do vento. Nas seções finais do jogo, isso se torna um problema maior, já que um fundo musical vazio torna mais fácil perceber a repetição das tarefas dadas ao jogador.

Para resumir

Seasons after Fall é um jogo de plataforma com controles responsivos, e a forma de interagir com o cenário a partir da mudança das estações dá um caráter de novidade à estruturas de quebra-cabeça já conhecidas. A arte é extremamente bem feita, assim como suas animações. Apesar disso, a tentativa de alongar de forma artificial o jogo, exigindo que o jogador percorra o mesmo caminho inúmeras vezes, tira um pouco do brilho da experiência. A presença de uma narração intrusiva durante a primeira parte da aventura também pode afastar alguns jogadores. Apesar dos problemas, no geral, Seasons after Fall agrada quem gosta do gênero, mas o preço inteiro do jogo talvez seja muito alto para quem quer uma experiência única.

Gameplay da Mãe

A Mãe Serpente gravou sua primeira experiência completa com Seasons after Fall, e a gameplay completa já está no canal de YouTube da Falange. Lá você também pode conferir os primeiros 25 minutos do jogo, comentados pela Mãe.