Falange Resenha | Power Rangers

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náusea vinheta

Minha camaradagem!

Se vocês costumam colar por aqui, tão ligados que eu fiquei encarregado de cobrir a produção de Power Rangers desde o início, né?  Mostrei a Rita Repulsa, depois fiz um apanhadão apresentando atores e equipe técnica e semana passada fiz outro apanhadão, com os trailers e outras paradas. Tudo isso aí teve sempre um ponto em comum: repetia, desde o início, feito um mantra que…

…esse filme vai ser uma merda.

Era a receita de bolo do filme ruim: atores desconhecidos e/ou iniciantes, diretor inexperiente, visuais duvidosos, estúdio nanico e BUM! Tudo na sua cara, feito um chafariz de chorume. Tava esperando isso, fodas! Corpo e mente preparados. Porque aqui é Nauseão da Massa. Encarei Tartarugas Ninja 2! Não vou encarar saporra aí? Claro que vou! E fui!

E não foi tão ruim assim \o/

Bem, calma. Mais ou menos. Vamos devagar.

Roteiro

A primeira cena é muito bem amarrada e funcional: houve um grupo de Rangers anterior, que chegou à Terra durante a “Era Cenozoica”, 65 milhões de anos atrás. Os zords assumem a forma dos seres mais poderosos do planeta onde estão, por isso se parecem com dinossauros. O próprio Zordon era o Ranger vermelho dessa formação, que não resiste à traição de Rita Repulsa, que era a Ranger verde do grupo, o que explica também o seu visual. Tudo muito dinâmico, sem explicações em excesso, o que renovou minhas esperanças. O problema é que depois disso a história começou a se arrastar, e isso prejudica bastante o enredo mais à frente.

Power Rangers

A solução que encontraram pro Zordon foi um golaço do roteiro: colocá-lo como um Ranger do passado dá um outro peso ao personagem, que no original era só um rosto de voz grave na parede. De quebra, ainda aproveitaram o fato dele ter morrido pra fazer um esquema meio “Jor-El”, onde a sua consciência foi transferida para a nave.

Apesar desse acerto, o número de “coincidências” da história incomoda, por mais que os roteiristas tenham se esforçado pra amenizar algumas coisas. Por exemplo, os cinco rangers estudam na mesma escola – ok, a Alameda dos Anjos é uma cidade pequena, mas peraí, né? Por motivos diversos, acabam indo para a turma de detenção, todos ao mesmo tempo. Depois, quando Billy (RJ Cyler) e Jason (Dacre Montgomery) vão até a pedreira da cidade, Kimberly (Naomi Scott), Trini (Becky G.) e Zack (Ludi Lin) também estão lá. Depois, um navio pesqueiro, que por coincidência é do pai do Jason, encontra o corpo da Rita Repulsa (Elizabeth Banks), que 65 milhões de anos depois, ainda estava enterrado raso o bastante pra ser “pescado”.

¬¬

A partir daí eu desisti, liguei o foda-se e vi que coerência de roteiro já era querer demais. Afinal de contas, cheguei no cinema com as expectativas lá embaixo e Power Rangers, apesar de tudo isso aí, até rolava bem.

Ritmo

Esse é o ponto fraco de Power Rangers. Falei lá em cima que perdeu-se muito tempo para colocar todos os futuros rangers juntos na pedreira. Depois, tiveram que rebolar pra, em duas horas de filme:

  • Decobrir a nave dos rangers anteriores.
  • Conhecer o Alpha e o Zordon.
  • Aceitar que tudo aquilo era de verdade.
  • Aprenderem a lutar.
  • Se tornarem amigos – todos só se conheciam de vista até então.
  • Matar o Ranger azul.
  • Reviver o Ranger azul.
  • Dominar a habilidade de morfar e os Zords.
  • Partir pro pau contra a Rita e o Goldar.

Resultado: o filme, do nada, começa a correr pra caralho, e isso nunca é bom.

Power Rangers

Inclusive precisamos falar sobre Rita e Goldar.

Porra, a produção não tem um amigo pra chegar e dizer “cara, essa parada aqui ó, dá pra fazer de outro jeito?”

Já mostrei no post anterior que mudaram radicalmente o Goldar, porque precisavam de um monstro gigante pra enfrentar o Megazord no final e não dava tempo pra fazer mais nada. Até aí beleza. Mas que porra foi aquela da Rita ficar juntando dente de ouro e jóia? Pelamãedoguarda…

O desfecho da luta final foi ridículo.

Efeitos especiais

Não comprometem o filme não; foram bem feitinhos, tirando o Goldar e o cetro da Rita, com toda aquela parada de ouro líquido. Deu a impressão que faltou verba pra fazer essa parte.

Power Rangers

Furos

Ah, tem um monte e provavelmente você vai sair do cinema debatendo sobre eles com o seu bonde.

Por exemplo:

Quando Zordon aparece pela primeira vez, fica claro que ele só fala sua língua natal de alien. Ele só consegue conversar com os rangers porque “puxa” informação da base de dados da nave.

Por outro lado a Rita Repulsa, que é da mesma espécie que Zordon e estava enterrada todo esse tempo, sai falando inglês de boas, com direito a sotaque britânico ainda. Falando nisso…

Atuações

Esse era o ponto onde eu mais me apoiava pra dizer que Power Rangers seria uma merda. Mas por increça que parível, os cinco protagonistas souberam se virar até que bem – naquele estilo “malhação”, é verdade, mas nada que incomodasse. Brian Cranston – que é um puta ator – fez o seu Zordon com o pé nas costas, pegou seu cheque e foi embora.

A surpresa ruim foi Elizabeth Banks, que conseguiu a façanha de fazer uma Rita Repulsa até mais caricata que a original. Em alguns momentos parecia bruxinha de teatro infantil.

Power Rangers

Enfim,

Valeu o combo de pipoca e refri que custa 10% do PIB de um país emergente? Claro que não. Nada vale o combo de pipoca e refri.

Saí puto do cinema? Também não. Na real, quando eu parei de me prender aos defeitos evidentes do filme, foi até bem divertido.

Power Rangers acaba sendo um bom exemplar de “Filme de Sessão da Tarde”. Aquele tipo que você esquece meia hora depois que acaba, mas se passar na TV e você estiver de bobeira, acaba parando pra ver. Agrada a molecada – que vai gastar o dinheiro dos pais com bonecos – e claro, também pega a galera que curtiu a primeira temporada da série e agora está chegando nos trinta. O fanservice do final, com as aparições da Kimberly (Amy Jo Johnson) e do Tommy (Jason David Frank) originais, serviu bem pra isso.

Vão assistir. Bjundas e até semana que vem.