Falange Resenha | Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar

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Vinheta BastilleBonjour! O mais novo filme da franquia Piratas do Caribe chega aos cinemas brasileiros na próxima quinta-feira, dia 25 de maioA Vingança de Salazar (Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales) tem Johnny Depp de volta ao papel de Jack Sparrow, desta vez em busca do Tridente de Poseidon.

A atração Pirates of the Caribbean, inaugurada em 1967 na Disneyland, na Califórnia, foi o que baseou a franquia que começou nos cinemas em 2003. E que já está em seu quinto filme. Após o sucesso do primeiro, A Maldição do Pérola Negra (The Curse of the Black Pearl, 2003), a Disney anunciou que ia ter uma trilogia. Vieram, então, O Baú da Morte (Dead Man’s Chest, 2006) e No Fim do Mundo (At World’s End, 2007). Mas não parou por aqui. Houve um quarto filme, Navegando em Águas Misteriosas (On Stranger Tides, 2011). Agora, vai sair o quinto. E talvez venha mais…

Gostemos ou não, é impossível negar a importância de Piratas do Caribe. O sucesso dos filmes a colocaram como a décima primeira franquia da história do cinema, no que diz respeito a bilheteria. Isso significa que todos os filmes são bons? Infelizmente, não.

Reciclagem

A Vingança de Salazar, como Navegando em Águas Misteriosas, tem protagonistas novos, ao menos ao que parece. Desta vez, o trio principal é composto por Jack Sparrow, Henry e Carina. Mas em muitos aspectos, trata-se apenas de uma cópia do trio inicial Jack-Will-Elizabeth. Henry, aliás, é o filho destes últimos, e lembra muito o pai. Quanto a Carina, uma astrônoma determinada a se impor no mundo através de seu conhecimento científico, tem a atitude e audácia de Elizabeth. E, obviamente, não puderam evitar um romance entre Henry e Carina, lembrando mais ainda o casal Will-Elizabeth. Então, atrás da aparente renovação, esconde-se uma mera reciclagem do que garantiu o sucesso da franquia até agora.

O mesmo se aplica ao enredo, que não traz nada de muito novo. Um artefato poderoso, e cada um querendo ele por um motivo próprio. Uma receita simples, que poderia funcionar se esse não fosse o quinto filme de uma franquia já esgotada. Característica importante desde o primeiro filme, o humor também tem dificuldade em funcionar, o que resulta em situações tão forçadas e insistentes que perdem a graça. Quando, por exemplo, durante alguns longos minutos, cavalos arrastam um prédio inteiro por uma cidade, ou quando um dos protagonistas escapa à morte por guilhotina inúmeras vezes seguidas. Cenas que lembram a do combate na roda do terceiro filme. Por fim, Jack Sparrow se torna cada vez mais cansativo ao longo dos filmes, e neste último o afeto pelo Capitão que amamos em A Maldição do Pérola Negra não basta para ignorar que a personagem não é mais suficiente para sustentar a franquia, que ainda assim insiste em torná-lo o foco de todas as tramas.

Piratas do Caribe
Carina Smyth (Kaya Scodelario) e Henry Turner (Brenton Thwaites).

Saudosismo

A trilha sonora do filme é um ponto alto, já que mesmo as quase duas dezenas de músicas novas têm a marca dos filmes anteriores. As novidades musicais, então, são pouco perceptíveis, pois combinam muito com o tom dado à franquia desde o início. Vale anotar que a edição de som é boa, no geral, com exceção de algumas cenas de ação em que a combinação de música, efeitos sonoros e efeitos visuais causam uma impressão de bagunça.

No quarto filme de Piratas do Caribe, não teve o casal formado por Will Turner e Elizabeth Swann. Desde o início de A Vingança de Salazar, no entanto, o filho deles aparece como protagonista, e como um elo entre essa nova narrativa e os personagens antigos. Henry tem como objetivo, desde criança, salvar o pai da maldição do Holandês Voador, o que motiva sua busca pelo Tridente de Poseidon. Spoiler leve: ele acaba por achá-lo e salvar o pai. O que nos leva a uma cena de reencontro entre Will e Elizabeth, ao mesmo tempo que nos é mostrado o primeiro beijo entre Henry e Carina. O paralelo entre os casais é inevitável, e se é bom rever o casal original, também dá a certeza de que o novo não está à altura dele. Por mais que Brenton Thwaites seja bom no papel do filho dos Turner, lembrando os pais em vários aspectos, tanto físicos quanto morais, há uma falta de química entre ele e Kaya Scodelario, que interpreta Carina.

Em resumo…

Já deu. A Vingança de Salazar não é horrível, é até engraçadinho em certos momentos. Mas essa franquia, seu personagem principal exagerado e suas situações forçadas já deram. Está na hora de Piratas do Caribe acabar, ou de se renovar por completo, mesmo que isso significa dizer adeus para o Capitão Jack Sparrow – assim como fazemos com outro personagem principal nesta quinta longa-metragem. Mas o filme conta com uma cena pós-créditos que possibilita uma continuação. Caso essa seja a escolha da Disney, vamos torcer para eles mudarem a fórmula no próximo filme.

Pérola Negra Piratas do Caribe