Falange Resenha | O piloto de ‘The Tick’

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Vinheta Carcaju - Falange

“Eu??? Eu sou o Tick!!!”
Fala, galera! É com essa premissa que começa o piloto de The Tick (O Carrapato), 1ª série de deper-herói da Amazon Studios em parceria com a Sony Television para a sua plataforma de streaming.

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Eu sou o Tick!!!

A estória

Como no resto da franquia, o piloto da série também traz um mundo onde super-heróis existem há décadas. Arthur (Griffin Newman), um contador desacreditado sem qualquer tipo de poderes, investiga e descobre que sua cidade está sendo dominada por um super-vilão, O Terror (Jackie Earle Haley), que todos acreditavam estar morto há anos. Enquanto investiga as ligações que o levam a essa conspiração, ele acaba, por “coincidência do destino”, conhecendo O Tick (Peter Serafinowitz), um super-herói esquisito que ninguém conhece, e se junta a ele para descobrir e deter toda a conspiração.

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Arthur investiga vários acontecimentos em sua cidade e é levado a acreditar que ela está sendo dominada por um super vilão dado como morto.

Impressões do piloto

É mais uma série de super-herói, e de certa forma é engraçada. Ela segue varias referências à animação da década de 90, e também a heróis de quadrinhos, o que aumenta a expectativa quanto a uma futura série. No entanto, o piloto usa o passado de Arthur para o desenrolar da estória, apesar da série ter o nome do carrapato azul.

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O piloto usa o passado do personagem Arthur para o desenrolar da estória do herói.

A origem de Tick não é explicada, acredito que conheceremos sua origem em uma futura série. Os diálogos do herói com Arthur são inconfundíveis, em muitos momentos seu jeitão canastrão lembra muito o desenho animado.

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Os diálogos do herói com Arthur são inconfundíveis e bem hilariantes.

Os efeitos especiais não são de impressionar, mas antes que muitos desanimem, não é uma série para ser séria, ou para competir com as famosas séries de heróis de grande orçamento. Um detalhe importante é o fato da série não ser para crianças, como a anterior feita pela Fox, dadas as suas referências a doenças sexualmente transmissíveis e violência. Para se ter uma ideia da presença da violência, em uma das cenas Arthur é interrogado pela polícia por ter invadido um armazém particular enquanto estava atrás de pistas sobre o vilão (Terror). É então que ele tem flashes de seu passado de criança, quando seu pai foi morto esmagado por uma nave dos super-heróis da época, abatida pelo Terror. Arthur, ainda em choque por ter visto seu pai morrer, presencia Terror mandando seus capangas matar todos os heróis sobreviventes do acidente e um deles toma um tiro na cabeça à queima-roupa.

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A violência está presente na série. Na cena, Terror debocha do pequeno Arthur, que esta em choque após ver a morte de seu pai e dos heróis.

O ator protagonista como o herói

A atuação do ator Peter Serafinowitz como o Tick, é colocada de uma forma que normalmente define seu personagem de canastrão. Durante boa parte do piloto, o personagem dele é posto de lado, para dar lugar a uma espécie de “maníaco”, pois seu desempenho forçado deixou um pouco a desejar a respeito da essência do herói. Acho que a atuação pode ser melhor para uma futura série, até porque o personagem estava esquecido há pelo menos 14 anos e essa geração não conhece o herói e sua essência.

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A atuação do ator no piloto deixou um pouco a desejar. Seu desempenho forçado deu lugar a uma espécie de “maníaco”, tirando um pouco da essência do herói.

A grandiosidade do piloto prove somente de quesitos técnicos, e a Amazon provou e continua provando que suas produções são dignas das cinematográficas. Em minha opinião, ainda faltou muita coisa no piloto, desde o tempo de duração que foi de 30 minutos, que é muito pouco comparado a outras produções à falta de mais situações “parodianas” um pouco mais naturais, como acontece com frequência tanto nos quadrinhos como na animação, para que em uma futura série sejam mais bem aproveitadas. Com tão pouco tempo, acho que também faltaram situações para se acostumar com a rotina da cidade ou seus moradores, o que deixa o espectador querendo saber exatamente o que está acontecendo na rotina em outros locais. Os flashbacks de Arthur e seus passados intercalados com coisas efêmeras de super-heróis, agora mortos, prevê um alongamento desta conspiração para uma provável temporada.

The Tick, apesar de ser via streaming, tem um típico ar de piloto de televisão, o que é compreensível considerando as diversas introduções que tiveram de ser estabelecidas e deixa mais perguntas sobre o futuro como uma série. Ainda assim, o piloto teve mais coisas positivas do que negativas. A série por algumas vezes é hilariante, deixando um gostinho de como será mais à frente com o desenrolar da estória. Vou um pouco mais longe, acho que o escritor do personagem ao invés de fazer simplesmente um reboot, está tentando reinventá-lo. Com isso, ele pode chegar a algo “próximo” do que foi feito nos filmes de Kick Ass, e assim atrair um publico jovem.