Falange Resenha | My Little Pony – O Filme

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Vinheta do Professor LumièreOlá, queridas e queridos membros da Falange. Aqui quem fala é o Professor Lumière, seu correspondente de cinema no QG. Hoje vou falar sobre My Little Pony – O Filme, já que acredito que num mundo ideal todos os filmes deveriam ser assistidos. Eu esperava ser surpreendido, e fui – de todas as formas erradas. A crítica abaixo esclarece o que é um brony, como um bicho pode ter três raças diferentes e como fazer uma aposta consigo mesmo para ganhar jujubas. Mas, antes, veja o trailer, para ter uma noção melhor do que eu estou falando.

O legal de um adulto completamente alheio aos brinquedos que se transformaram em série de TV que agora são um filme em My Little Pony é que ele não faz ideia do que esperar, a não ser os muitos pôneis (Ou unicórnios? Ou pégasos? Spoiler: todas as anteriores) e cores que o cartaz sugere. Uma rápida pesquisa no Google indica que não só a franquia tem mais de trinta anos de produtos e mídias como em 2010 conquistou os bronys: fãs masculinos que têm qualquer idade entre 13 e 35 anos, o que definitivamente não era o público-alvo da Hasbro. Mas tudo bem, nada de errado em gostar de pôneis-unicórnios-pégasos voadores. Se algo atraiu homens de 35 anos de idade, deve haver algum elemento interessante no filme, certo?

My Little Pony: Um Ensaio

Depende do ponto de vista. Antes da atração principal, um curta-metragem é exibido e traz tudo que se esperava de My Little Pony e mais: uma menina hiperativa que parece ter consumido muito açúcar faz alguns amigos… estranhos e tão hiperativos quanto ela. A agilidade da história até diverte, mesmo que na maior parte do tempo seja difícil determinar exatamente o que está acontecendo, mas o nonsense acaba dando espaço até para uma participação da Grande Fera de AAAAARGH!, do Monty Python em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail, 1975) – ou fui eu quem consumiu açúcar demais? A parte ruim é que, como toda onda de açúcar, ela acaba rápido. E quando eu estava começando a me acostumar com o ritmo frenético da explosão de cores, o curta acabou tão sem sentido como começou – amei.

Como não estava preparado para aquilo, fiquei chocado ao perceber que não era a atração principal, então tentei piscar os olhos para parar de enxergar cores mesmo diante da tela preta e me preparei para My Little Pony-Unicorn-Pegasus – O Filme. E devo dizer que, diante das loucuras nonsense do curta, a animação em flash empalidece. Ok, prometo que vou parar de fazer piadas com cores.

My Little Pony: Delírios Didáticos de Cinco Roteiristas e Um Programador

Como era de se esperar, todos os pôneis são muito felizes no reino de Equestria. Tão felizes que eles cantam uma música sobre serem felizes seguida de outra em que sugerem que fazer arrumação é legal – coitadas das crianças, pois nem inspiradas as músicas são. Já consigo imaginar os pais mandando os filhos catarem os brinquedos enquanto cantam a insossa “Unidos Tudo É Possível” com a promessa de que poderão assistir a episódios de My Little Pony depois que tudo estiver arrumado e organizado.

Imagem de My Little Pony, em que sete pôneis saem de um porão.

Depois da arrumação, perde-se um longo tempo apresentando personagens unidimensionais cujas personalidades são tão indistinguíveis uma da outra que era mais fácil simplesmente identificá-los por cores e seguir adiante. Ok, isso reduziria drasticamente a duração do filme e estaríamos diante de outro curta. Não que isso fosse ruim, o curta ainda estava em minha cabeça – peraí, aquilo é a Sia? Achei que não era possível algo parecer mais estranho que um pônei-unicórnio-pégaso, mas, bem, eu estava errado. Prometi pra mim mesmo que, se essa PégaSia (I’m on fire) não tivesse nada a ver com a história, eu me daria um pacote de jujubas pra voltar a delirar e curtir o filme. Aí fui lembrado, assim como os roteiristas devem ter lembrado, que já estávamos na metade do filme e a sinopse estava parada em “os pôneis preparam um festival”. Então surge um conflito e o grupo de pôneis precisa atravessar o continente quando a vilã Tempesta anuncia que planeja roubar os poderes das princesas para dominar o mundo. Claro. Mas peraí, por que elas não estão usando a mágica que usaram pra arrumar as coisas no festival? E por que elas estão andando 5 mil quilômetros quando podem ir voando? E por que a Sia ficou pra trás? Urgh. Comi cinco jujubas e continuei.

Durante a jornada das pôneis voadoras que preferem andar, elas conseguem a ajuda de um gato que fica dividido entre ser bom e ser mau, mas como o público-alvo (crianças de 6 anos ou adultos de 35) não entendem muito de nuances, os roteiristas acabam desistindo e o personagem é esquecido. No entanto, eles parecem não ter esquecido das referências fálicas na arte, e espero que esse cenário não tenha sido roubado de algum jogo indie – ou algum dos programadores resolveu testar o próprio trabalho. Hm… ok, justo.

Quando chega a hora de resolver todas as encrencas e Tempesta, que veste preto e tem o chifre quebrado – de novo, nuances –, aprender sua lição, as cinco pessoas que se juntaram para escrever esse roteiro ensinam para as crianças que a melhor forma de se resolver um problema é carbonizando aqueles que discordam de você. Muito bonito, quase poético. E agora a PégaSia tá cantando. Aaaaaah, é por isso que ela tá no filme. Duh.

Tempesta, a vilã de My Little Pony, veste preto e tem o chifre quebrado.

O que aprendemos com My Little Pony – O Filme? Quando um roteirista não consegue conceber uma história para um público-alvo de 6 anos, chamar mais quatro não vai resolver.

Lição de casa: Assistir Monty Pyhton em Busca do Cálice Sagrado e dizer se eu vi coisas ou acertei a referência.

 

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Crítico de cinema, engenheiro de projetores, manipulador da luz, entusiasta de séries de TV, devorador de livros. Um membro da Falange.