Falange Resenha | Meu Malvado Favorito 3

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náusea vinhetaMinha camaradagem! Cá estou novamente resenhando filme feito pra criança e novamente tendo que maneirar nos palavrões. Dessa vez é Meu Malvado Favorito 3 (Despicable Me 3, 2017) que vem para tentar redimir o filme solo dos Minions (2015).

Meu Malvado Favorito 3 – O fim de uma era

Dois fatos: apesar dos muitos altos e baixos, a franquia Meu Malvado Favorito é o grande hit dessa década quando o assunto é filme de animação. O outro fato é que o lance dos Minions é ser coadjuvante; daquele tipo maroto, que surge no momento certo pra jogar aquela piada rápida na sua cara. Foi isso que garantiu o sucesso do primeiro Meu Malvado Favorito, e foi isso também que fez o filme solo deles acabar ficando bem ruinzinho.

Um conjunto de Minions, como mostrado no filme 'Meu Malvado Favorito 3'.
BA NA NAAAAAA

Então agora temos o terceiro – e provavelmente último – filme da série, os Minions de volta ao seu papel de apoio e o Náusea cheio de esperança que o preço pago no ingresso compense. Pelo menos dessa vez já posso dar um spoiler e dizer que Meu Malvado Favorito 3 é bem melhor que Meu Amigo, o Dragão, por exemplo.

Mas será que ser melhor que aquela bomba significa ser de fato bom? DESCUBRA.

Gru e Dru

Negócio é o seguinte: depois de falharem numa missão, Gru e Lucy – agora um casal já estabelecido – acabam perdendo seus empregos. Paralelo a isso, Gru descobre que tem um irmão gêmeo loiro e cabeludo, o Dru, que quer muito fazer contato depois de todo esse tempo separado.

Dru, o irmão gêmero de Gru, no filme Meu Malvado Favorito 3

Na real, Dru quer mesmo é usar a experiência do seu irmão para aprender a ser um vilão, mas isso não é mais o lance do Gru – que deixou de ser um vilão desde o final do primeiro filme, a pedido de suas filhas. No meio disso, ainda temos Balthazar Bratt, o vilão da vez, grande rival de Gru e o causador da demissão dos protagonistas. Bratt é uma ex-estrela dos anuzoitenta – e completamente obcecado pela década, assim como eu :p – que decide se tornar vilão após perder espaço no show bussiness.

Balthazar Bratt toca guitarra em Meu Malvado Favorito 3
Balthazar Bratt

E esse é o roteiro principal, que eu até gostei. O problema é que parece que a própria produção do filme não levou muita fé e é aí que os problemas começam.

Ritmo. É ritmo de festa.

A coisa toda desandou conforme foram aparecendo mais três sub roteiros no filme, todos sobre tentativas: Lucy tentando se tornar de fato uma mãe para as crianças; Agnes, a menorzinha, tentando encontrar um unicórnio; e os Minions tentando seguir seu próprio caminho, depois de perceberem que Gru não voltaria a ser um vilão.

Os Minions de Meu Malvado Favorito 3 estão vestidos com roupas de presidiário e dançando
É… dessa vez não salvaram.

A princípio não chega a ser um problema ter sub roteiros num filme, mas nesse caso foi, porque nenhuma dessas situações contribui em nada para a história principal e nem mesmo se conecta a ela de qualquer forma, o que me deixou a impressão de que só estavam ali para encher linguiça e permitir que o filme conseguisse alcançar noventa minutos de duração. Aí o ritmo do filme foi pra vala.

Fora que o sub roteiro dos Minions acabou isolando os amarelos do resto do elenco, o que enterrou de vez qualquer chance do filme decolar, já que grande parte do sucesso dos dois primeiros filmes se deve a eles a às suas interações com geral. Eu não entendi nada dessa decisão até agora.

O que salva o filme?

Como sempre, a dublagem. Meu Malvado Favorito é uma franquia que felizmente não sofre do “mal da celebridade convidada” e por conta disso não te faz ter vergonha alheia, como foi com Enrolados (Tangled, 2010) e seu príncipe Luciano Huck, só pra citar um exemplo. Leandro Hassum arrebenta a cargo de Gru e Dru e acaba salvando algumas cenas bem sem graça com a sua interpretação.

Ain, mas quem dubla o vilão é o Evandro Mesquita…

Mas ele é ator, camarada. E, principalmente, é uma escalação que faz todo sentido, já que dublador e dublado são ícones dos anuzoitenta. Rola até uma citação de um trecho de Você Não Soube Me Amar no meio das falas.

Falando em anuzoitenta…

Ah, parcêro… as referências oitentistas, do figurino de Balthazar Bratt – que ostenta conjunto de tactel, ombreiras, tênis cano alto, mullets e bigode TUDO JUNTO – até a trilha sonora, foram um alívio no meio de tantas decisões duvidosas. É legal quando enfiam coisas no filme que fazem sentido pros adultos, porque a pirralhada não vai no cinema sozinha. O problema é que isso não é o bastante pra segurar o filme.

Beleza, mas e aí?

E aí, parcêro? E aí que provavelmente as crianças vão cagar e andar pra isso tudo que eu apontei e vão curtir Meu Malvado Favorito 3 pra caramba. É colorido, é cheio de ação, é barulhento pra dedéu e tem minions. Então faz o seguinte: arranja uma sessão no meio da semana – tá ligado aquelas de ingresso baratinho? Então – e leva a pirralhada. Curte as músicas, compra uma parada pra comer e seja feliz.

Só não diz que o Náusea falou que o filme é bom, porque não é. Bjundas e até.