Falange Resenha | Homem-Aranha: De Volta ao Lar

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náusea vinhetaMinha camaradagem! Nauseão da massa aqui mais uma vez, resenhando filme da Marvel. E o nível tá alto, hein? Já que meu último foi Guardiões da Galáxia Vol. 2. Agora é a vez de Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming), o maior acontecimento Marvel da última década.

Sim, porque a trilogia de Sam Raimi – graças às interferências da Sony – começou muito bem mas cagou no final. Então, quando ficou claro que a Marvel Studios estava num bom caminho com seu universo compartilhado, pintou aquela dor de cotovelo de ver o amigão da vizinhança isolado nas mãos da mesma Sony. Pior ainda foi ver dois Nada Espetaculares Homem-Aranha enterrarem de vez qualquer chance de sucesso por lá.

Agora finalmente temos o que tanto pedimos e foi ensaiado em Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, 2016) – Peter Parker devidamente inserido no universo Marvel do cinema, com seu próprio filme e todo um caminho de boas histórias pra contar pela frente. Mas rolou legal? O filme é bom? E as piadinhas? Eu saí puto do cinema? DESCUBRA.

Homem-Aranha: De volta ao Lar

Homem-Aranha: De Volta ao Lar OU Homecoming

Essa expressão do título original se perde um pouco com a tradução: o “Homecoming” é uma tradição muito forte nos Estados Unidos, principalmente no ambiente das escolas de ensino médio e universidades. Pode variar, mas geralmente marca a volta do time da escola – seja basquete, hockey ou o futebol deles – à sua cidade natal, após passar a temporada excursionando. Sempre rola um baile também, onde costumam coroar a “homecoming queen”, quase sempre uma menina que seja bastante popular.

Isso tudo aí acontece no filme sim, mas também temos um “homecoming” nos bastidores da produção. Afinal, foram nove anos e quinze filmes sem que a Marvel pudesse contar com um de seus nomes mais conhecidos do grande público. Por isso eu acho que os responsáveis pela escolha do nome desse filme merecem um aumento. Que golaço.

Roteiro

De volta ao Lar começa com um retcon, recordando o que rolou em Guerra Civil, mas do ponto de vista do próprio Peter Parker (Tom Holland), que não larga a porra do celular, como todo bom adolescente. Também temos a volta de Jon Favreau (que também foi o diretor dos dois primeiros Homem de Ferro) no papel de Happy, o faz tudo das Indústrias Stark e atual babá de Peter.

Corta, edita. Depois de Guerra Civil, Peter continua no “programa de estágio Stark”, que é o disfarce que Tony inventou para justificar a missão para a Tia May (Marisa Tomei), mas nunca mais foi chamado pra nenhuma missão e vai passando seu tempo combatendo o crime no seu bairro; ou pelo menos tentando.

Depois disso, outro retcon que entra ainda mais no passado e serve para introduzir o vilão do filme: Adrian Toomes (Michael Keaton) é um pequeno empreiteiro, que consegue um contrato com a prefeitura para limpar a bagunça deixada após a batalha do primeiro filme dos Vingadores, até que sua licença é cassada de uma hora pra outra por conta do risco que o material alienígena pode oferecer. Bem puto por ter perdido seu investimento e fonte de renda, Toomes entra no ramo do contrabando, roubando equipamento Chitauri, transformando em armas e revendendo por aí, além de fazer pra si próprio um par de asas mecânicas, tipo as de um abutre, sabe?

Homem-Aranha: De volta ao LarA partir daí não demora pra vontade de Parker em provar pro Tony Stark (vocês sabem quem) que está pronto e pode ser útil acabar esbarrando nos negócios de Toome, que vai fazendo tudo na encolha e, com isso, fica longe do radar dos Vingadores.

E no meio disso, temos o ambiente onde grande parte do filme acontece: a escola. Ela esteve presente em todas as encarnações do Aranha no cinema, mas foi a primeira vez que realmente funcionou como deveria e por um motivo bem simples: a decisão de colocar um Peter Parker bem novinho no MCU. Das outras vezes, era bem complicado ignorar que aqueles atores, que tentavam me convencer que eram estudantes de ensino médio, já estavam na casa dos trinta. Dessa vez esse problema acabou.

Agora é possível acreditar que aquele Peter Parker realmente não sabe seu lugar no mundo, tem dificuldade em interagir e tem ataques de gagueira quando a Liz, a menina que ele gosta (Laura Harrier), se aproxima.

Homem-Aranha: De volta ao Lar
o-o-o-o-o-o-o-o-oi Liz…

O único efeito colateral disso é o fato de aparentemente todo mundo no filme querer comer a Tia May. Eu vou demorar pra me acostumar com isso.

Mais mudanças

Ainda falando nelas, rolou um frenesi de justiça social no elenco de De Volta ao Lar como eu nunca tinha visto: temos um diretor japonês, uma professora latina, os membros da equipe de química da qual Parker faz parte são praticamente um de cada etnia e Flash Thompson, o eterno aplicador de bullying, agora é indiano (Tony Revolori). E cara, foda-se. Isso não atrapalha em nada, nem esse filme, nem muitos outros. Que bom que hoje já temos espaço pra alguma pluralidade, né não? E a Betty Brant (Angourie Rice) desse universo é aspirante a jornalista e parece ser mais nova que o Parker também.

Atuações

O foco de De Volta ao Lar é o Homem-Aranha do Tom Holland, que achou o tom certo e tem tudo pra marcar o papel pra sempre. Michael Keaton faz o feijão com arroz, pega seu cheque e vai embora e Robert Downey Jr liga o piloto automático mais uma vez, o que não quer dizer que foi ruim. O lance é que o roteiro – que por incrível que pareça foi feito por SEIS pessoas – é tão redondinho que bastou aos atores fazer o simples e tudo correu bem.

O Hulk é cheiroso??

Ah! Quase me esqueci de dar uma menção honrosa ao Ned (Jacob Batalon). Porra, a interação entre ele e Parker é a âncora do filme e mais uma vez o mundo da cultura pop nos lembra da importância de ter um amigo gordo. Taí. Game of Thrones e Senhor dos Anéis que não me deixam mentir.

Homem Aranha Ned Homem-Aranha: De volta ao Lar

Citações, aparições, easter eggs…

Olha, desde já quero cravar aqui que o vilão de Homem-Aranha 2 vai ser o Escorpião. Porque, porra, nem dá pra chamar a aparição de Mac Gargan (Michael Mando) de easter egg, de tanto que foi jogada na nossa cara. Também tivemos o(s) Shocker(s) sendo nada mais que uma aparição – ótima ideia, por sinal – além de outras paradinhas que merecem e terão um post só pra elas, da mesma forma que fiz com o Doutor Estranho, blz? Fiquem no aguardo.

Tá, mas e aí?

Não deixe a simplicidade de Homem-Aranha: De Volta ao Lar te enganar: o filme é MUITO BOM. Não precisou de viradas de roteiro mirabolantes para entregar um filme sólido, divertido e com ação na medida certa. Só não fica em primeiro lugar no meu top 3 particular porque os dois primeiros lugares sempre serão dos Guardiões da Galáxia. A tão aguardada entrada de Peter Parker no MCU não poderia ter sido melhor e superou todas as minhas expectativas. Não damos nota aqui, mas não é difícil imaginar a minha.

“O Abutre é datado”, eles disseram. “Ele nunca vai funcionar num filme”, eles disseram. Porra, Sony, não fode.

Hangout no Youtube

Nessa sexta, às 23:00, eu e mais alguns membros da Falange faremos um hangout especial ao vivo direto do meu bar. Vamos trocar uma ideia sobre o filme e vocês estão convidados a participar. Vamos avisar pela nossa página do Facebook, então se ainda não segue a Falange, só clicar lá.

Cena pós créditos

Temos duas, mas a segunda cena pós créditos entra para a história: nunca aprendemos uma lição tão profunda e duradoura simplesmente por assistir um filme. Eu faço um apelo a você: FIQUE ATÉ O FIM. Bjundas.