Falange Resenha | Guardiões da Galáxia da Telltale: Tangled Up in Blue

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Vinheta BastilleBonjour! Desde que Náusea assistiu a Guardiões da Galáxia Vol. 2 antes de todo o mundo, ele não para de falar do quão bom é o filme, me deixando cada vez mais ansiosa. Então, enquanto o filme não sai, a Mãe Serpente me botou para jogar o primeiro episódio de Marvel’s Guardians of the Galaxy: The Telltale Series, que saiu para PC na terça-feira, dia 18 de abril, para facilitar a espera. Será que o jogo é comparável ao filme?

Quem já jogou algum jogo da Telltale sabe como funciona. A proposta do estúdio consiste em se basear em grandes franquias (Batman, Game of Thrones, The Walking Dead…) para criar estórias interativas, divididas em temporadas e episódios. Com um aviso inicial interessante: as escolhas do jogador influenciam o decorrer da estória. Essas escolhas são dadas a partir do toque de um botão. Aparecem várias opções e é necessário apertar o botão correspondente à fala ou ação desejada antes do tempo acabar. A única outra forma de interação são os combates, em que o jogador deve apertar uma série de botões na ordem e no momento certos.

Gamora

Escolhas que não importam

A Mãe comentou que o grande problema de Batman: The Telltale Series é que, na verdade, as decisões do jogador fazem pouca diferença. Em Guardiões da Galáxia, acontece o mesmo. Ao jogar pela primeira vez, o jogador é levado a escolher entre ações tão diferentes que a sensação é de que elas realmente importam – entregar algo para o Colecionador ou para os Nova Corps, por exemplo. Mas basta jogar uma segunda vez e fazer escolhas opostas para perceber que a Telltale sempre dá um jeito do resultado final ser o mesmo. Para que tentar enganar o jogador, então?

Uma boa narrativa

Quando se tem consciência de que as escolhas não importam, é necessário enxergar o jogo apenas como uma estória e aproveitar a narrativa. O jogo não retrata uma estória de origem, o que é um ponto extremamente positivo, já que isso foi feito há pouco, no filme de 2014. Mesmo que apenas um capítulo (de um total de cinco) tenha sido divulgado por enquanto, já se pode dizer que a estória é interessante, com acontecimentos que geram expectativas quanto aos próximos episódios. Quando o jogo começa, Peter Quill (também conhecido como Senhor das Estrelas… mas prefiro usar Star-Lord), Gamora, Rocket, Groot e Drax já formam os Guardiões da Galáxia, e recebem um pedido de socorro dos Nova Corps para ajudar a derrotar Thanos, que está em busca de uma poderosa relíquia. Em troca da absolvição de crimes passados, presentes e futuros, o time – através de Quill, seu líder – vai atrás do Titã Louco.

Thanos

E aqui começam os spoilers. Em um combate, que termina com Thanos recebendo no peito um tiro de uma arma construída por Rocket, o vilão morre. Sim, tão fácil assim. Mas em sua mão se encontra um artefato poderoso, o Forja da Eternidade, que Quill decide guardar. A presença do artefato já é aproveitada no primeiro capítulo, com Quill tendo visões de sua mãe falecida. E é de se esperar que, em algum momento nos próximos capítulos, isso traga Thanos de volta à vida. Fim dos spoilers.

Personagens inspiradas nos quadrinhos e no filme

As personagens sofrem com alguns problemas. Como nos outros jogos, os movimentos dos corpos são robóticos. Como nos outros jogos, a boca e o movimento dos lábios são extremamente mal feitos. Além disso, as vozes e as falas não combinam necessariamente com as personagens do jeito que as conhecemos no filme, com exceção de Rocket e Drax. O maior problema é Gamora, cuja voz se parece com a da Mulher-Gato do Batman da Telltale.

Visualmente, as inspirações variam. Gamora se parece com a dos quadrinhos no que diz respeito a cores – o contorno de seus olhos é amarelo e o cabelo é mais neutro do que no filme – mas suas roupas cobrem mais de seu corpo, com um uniforme parecido com o do filme. Quanto a Drax, ele tem tatuagens, ao invés das cicatrizes do filme. Abaixo segue uma galeria com o visual dos personagens principais.

No que diz respeito à personalidade, o jogo segue bem o filme. Rocket é nervoso e xingador, as falas de Drax continuam belas e violentas ao mesmo tempo, Groot está sempre disposto a apoiar o time. Gamora continua sendo uma guerreira assassina arrependida, mas fica remoendo alguns assuntos e não se expressa de forma clara e direta, o que acaba por ser cansativo. Mas o pior personagem é Peter Quill, um verdadeiro babaca, independente das escolhas de falas e ações. Para justificar o uso de uma personagem central no jogo, a Telltale tornou ele em um líder inquestionável. Os outros personagens não têm muita voz; no fim das contas quem decide e manda sempre é o Quill. As relações entre os outros membros da equipe são melhor trabalhadas, com um conflito sensível entre Gamora – guiada pela vontade de fazer o que é certo – e Rocket – cujo interesse principal é o dinheiro.

Se o primeiro episódio foi muito (demais) focado em Quill, ainda há esperança disso mudar nos próximos episódios, já que, no menu do jogo, uma imagem de Quill ilustra o primeiro episódio, Raccoon o segundo, Gamora o terceiro, Drax o quarto, e Groot o último.

Variações nas músicas

O gosto de Peter Quill por músicas terráqueas dos anos setenta e oitenta é presente desde o início do jogo, com Why Can’t I Touch It, de The Buzzcocks, tocando e ele dançando enquanto atende uma ligação dos Nova Corps. Ao longo do episódio, tocam algumas músicas no estilo dessa. Porém, o ambiente setentista muitas vezes é interrompido por músicas padrão, parecidas com algumas do Batman da Telltale. Essas variações incomodam, já que passamos de músicas muito ligadas ao Quill para músicas que em nada se adequam ao ambiente dos Guardiões.

Peter Quill Meredith

O nome de cada um dos episódios do jogo homenageia uma música clássica. O primeiro, Tangled Up in Blue, faz referência à música de Bob Dylan. O segundo episódio irá se chamar Under Pressure, como a canção da banda britânica Queen. Depois virá More Than a Feeling, homenagem à banda Boston. O quarto episódio terá o nome da música de The Orwells Who Needs You. E o jogo terminará com Don’t Stop Believing, homenagem ao clássico da banda Journey! Isso para quem joga na língua original, em inglês. Pois por menos sentido que faça, esse nomes de músicas foram traduzidos na versão em português…

Um toque próprio

Apesar de todos os problemas acima citados, o Guardiões da Galáxia da Telltale oferece uma boa experiência de jogo. A escolha de uma narrativa própria é louvável, e por mais que se inspire fortemente nos quadrinhos e no filme, há uma vontade do estúdio de criar um produto diferente. Algo que dá para perceber em pequenos detalhes, como o fato da cassete dada pela mãe do Quill ao filho ter um nome diferente – Rad Mix, ao invés de Awesome Mix – e das próprias músicas presentes nela se parecerem com as que aparecem no filme, mas não repetir nenhuma.

Guardiões da Galáxia