Falange Resenha | Drifting Lands

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Vinheta da Mãe SerpenteDepois de três anos de desenvolvimento, e um longo período no acesso antecipado, Drifting Lands teve seu lançamento oficial hoje. O jogo é um shoot ‘em up desenvolvido por um pequeno estúdio independente, Alkemi. E isso poderia significar que Drifting Lands é mais um jogo genérico de um dos gêneros mais copiados por desenvolvedoras iniciantes. Isso se não fosse pela capacidade da Alkemi de introduzir uma ampla customização, níveis variados de dificuldade e mesmo construir uma trama interessante, elemento usualmente ignorado nesse estilo de jogo. No fim das contas, Drifting Land é extremamente divertido, e capaz de agradar um número imenso de estilos de jogadores.

Preferências e escolhas

Quando a Mãe recebeu uma cópia de imprensa para analisar Drifting Lands, a expectativa era de mais um título repetitivo com naves espaciais e centenas de balas simultâneas na tela. Apesar de divertido em doses moderadas, o modelo dos shoot ‘em up é extremamente repetitivo, e é difícil de fugir da fórmula padrão. Os três anos que a Alkemi dedicou ao projeto, no entanto, transformaram a experiência no mais diversificada possível, ao ponto de prolongar o tempo de jogo de forma indefinida. O primeiro fator, emprestado de roguelikes, é a geração aleatória de fases e equipamento.

Cada fase possui um nível, de 1 a 100, que determina dano e defesa de inimigos, além de garantir a presença de oponentes mais variados e letais. Conforme avança nas fases, o jogador tem a chance de coletar peças nos destroços que permanecem na tela. Essas peças podem ser utilizadas para substituir partes específicas de sua nave, ou para serem vendidas no mercado em troca de créditos. Créditos, por sua vez, são utilizados para aumentar atributos básicos, comprar novas habilidades e peças, aumentar a capacidade de estocagem em sua base e até mesmo comprar novas naves. Manejar esses recursos com cuidado é essencial para a progressão, já que, no modo normal de jogo, tudo o que o jogador possui pode ser destruído.

Drifting Lands
Os cenários e músicas de fundo também são variados e estimulantes, o que mantém o jogo atrativo ao longo das horas.

Ao ser derrotado em uma fase qualquer, o jogador tem sua nave destruída. Com todo os equipamentos, e com o desperdício de todos os pontos de atributos já comprados. Existe a possibilidade de fugir de uma missão a qualquer momento, com o risco de apenas ter uma peça quebrada, definitivamente. Assim, não é seguro investir todo o dinheiro em uma só nave, e sempre é bom manter equipamentos reservas para a eventualidade de ter que usar uma nova nave. Claro que existem formas de minimizar o perigo da derrota, como habilidades passivas que causam uma fuga automática quando a barra de vida chega a zero. Ou mesmo um modo de jogo mais casual, que permite consertar todo e qualquer item quebrado depois de um combate mal sucedido. É o jogador que escolhe como aproveitar a experiência de Drifting Lands, de acordo com o que prefere como desafio.

Casual ou desafiador

Além da gestão contínua de peças, o jogador também tem à sua disposição três modelos diferentes de naves. O modelo mais frágil permite maior velocidade e capacidade de manobra. O modelo mais robusto também é o mais lento. O terceiro modelo é intermediário entre esses dois extremos. A primeira nave é oferecida, de acordo com a escolha do jogador, no início de Drifting Lands. Mas logo se pode desbloquear todos os tipos iniciais, e escolher entre estilos diferentes de jogo para cada uma das missões. Jogadores que querem testar ao máximo seus reflexos estarão satisfeitos com o modelo mais frágil, já aqueles que preferem uma progressão gradual e segura devem escolher uma defesa maior.

Drifting Lands
Cada grupo de inimigos possui padrões de ataques específicos, que podem exibir maior velocidade ou maior defesa para serem derrotados com mais facilidade.

O jogador também possui toda a liberdade de configurar até quatro habilidades ativas e duas passivas. As passivas são ativadas quando algumas condições são atingidas, no meio da fase. Já as ativas correspondem a ataques especiais, escudos e outras habilidades, acionadas com um toque de um botão. Cada habilidade tem um tempo de resfriamento, e consome um certo valor de energia. A barra de energia, no entanto, se preenche automaticamente, o que possibilita o uso frequente de habilidades. São dezenas de habilidades diferentes, que são desbloqueadas com o tempo e podem ser escolhidas para ocupar a posição desejada pelo jogador, de modo a corresponder com seu próprio padrão de controle. É possível, dessa forma, aumentar os riscos e escolher uma jogabilidade mais agressiva, ou investir em habilidades de defesa e garantir uma vitória com menos recursos e pontos.

Além de fases obrigatórias para a conclusão da narrativa principal, existem missões secundárias que desbloqueiam novos itens, e missões que não dão nenhuma recompensa além de uma posição no ranking mundial. Conforme avança no jogo, o jogador ganha até mesmo a possibilidade de mudar o nível geral das missões ranqueadas, e torná-las mais ou menos difíceis. De novo, o nível de competição e casualidade é selecionado pelo jogador, o que permite uma variação imensa no público de Drifting Lands.

Drifting Lands
Olha ali a Mãe em segundo lugar mundial de uma partida ranqueada! Claro que isso é porque o jogo saiu hoje, daqui a pouco eu sumo da lista.

Toda a informação que quiser

Outro ponto positivo de Drifting Lands é sua capacidade de administrar dezenas de informações, dentro e fora das missões, da forma mais limpa e clara possível. O jogo conta arquivos de instruções detalhados e bem organizados de acordo com tópicos, que podem ser acessados a qualquer instante pelo jogador. Porém, como todos os elementos são intuitivos e bem distribuídos, é fácil para o jogador descobrir as informações essenciais de Drifting Lands a partir da experimentação.

Dentro do combate, para que a chuva de balas não retire o controle do jogador, os indicadores de escudo, vida, energia, dinheiro coletado e habilidades disponíveis ficam agrupados acima e abaixo da tela principal. Permanecem fixos, e não são afetados pelo caos potencial que o combate frenético desencadeia. A chegada de inimigos, que pode acontecer de todos os lados da tela, também é anunciada de forma prévia, permitindo uma reação do jogador antes de colidir com outra nave. Tudo é pensado para dar o máximo de autonomia dentro de cada fase, e o máximo de controle na hora de reagir e decidir o que fazer em seguida.

Drifting Lands
As exclamações no canto inferior esquerdo da tela são exemplo de como o jogo é extremamente justo em telegrafar a ação dos oponentes e permitir uma reação do jogador.

Fora das fases, o jogador tem acesso a painéis desenhados que representam as diversas seções da base. O hangar, em que é possível trocar peças, habilidades e comprar tributos; o mercado, em que se comercializa itens; a sala de comando, em que um holograma do globo destruído pode ser manipulado na seleção de novas fases. A distribuição desses elementos lembra, de certa forma, XCOM: Enemy Unknown (Firaxis Games, 2013). Tudo está à disposição, de modo que o jogador tenha também todo o controle na gestão de seus recursos.

Drifting Lands
Todas a missões são identificadas também com um padrão de cor de acordo com a dificuldade. Se o equipamento e atributos atuais da nave escolhida são considerados insuficientes para a vitória, a fase estará vermelha. Caso a probabilidade sobrevivência seja alta, a fase é identificada em branco. O preto indica fases já concluídas, e o cinza fases fáceis demais para o jogador.

Uma falha de Drifting Lands se encontra justamente na visualização de seus menus. Dentro das fases, um controle é mais adequado para garantir a precisão do movimento e o melhor desempenho do jogador. Porém, utilizar a alavanca como um cursor é estranho, e pouco eficiente, sendo o mouse melhor para a tarefa.

A narrativa de Drifting Lands

Não há dúvidas que a parte mais dispensável de um bom shoot ‘em up é sua estória. Qualquer desculpa para uma aventura espacial é facilmente aceita em troca de controles precisos e uma cursa de desafio interessantes. Drifting Lands se preocupa em entregar a experiência de jogabilidade mais completa e precisa possível, porém, não se impede de construir um universo extremamente interessante.

O jogo se passa em um futuro em que o planeta Terra explodiu, gerando diversos fragmentos flutuantes onde antes havia um único globo. Nesse cenário apocalíptico, a humanidade aumentou sua dependência da tecnologia, construiu robôs mais autônomos e permitiu a ascensão de um regime totalitário. À bordo da Ark, uma estação espacial gigantesca, o jogador assume o papel de um grupo rebelde, que luta para manter sua liberdade. Mas não é em seu conceito conciso que Drifting Lands surpreende.

Entre as missões, principais e secundárias, o jogador se deparar com diálogos breves, em que pode conhecer melhor as diversas personagens que povoam o mundo. Rebeldes, militares, contrabandistas, comerciantes, civis tentando sobreviver. Não existe uma posição clara do certo e do errado, e muitas vezes a narrativa leva o jogador a cumprir missões duvidosas, em que realiza ações questionáveis. Tudo isso ajuda a dar significado para a ação, tornando as fases menos repetitivas e prendendo a atenção em uma narrativa mais complexa do que seria esperado no gênero.

Drifting Lands
O plano de fundo de cada cena de interação é bem desenhado, e se assemelha ao modelo utilizado em RPGs da década de 90.

Drifting Lands: A primeira meia hora

Em resumo, Drifting Lands surpreende ao utilizar elementos externos ao shoot ‘em up para criar uma experiência de jogo consistente e extremamente divertida. Feito para agradar jogadores competitivos e casuais, Drifting Lands foi desenvolvido com atenção aos detalhes, e pode proporcionar dezenas de horas de jogo antes de se tornar cansativo. Isso é um grande feito, principalmente considerando o preço extremamente acessível do jogo.

A Mãe também preparou, nessa manhã, uma gameplay comentada de meia hora, enquanto descobria o jogo. O vídeo serve para quem quiser ver um pouco de Drifting Lands, e entender melhor suas mecânicas.