Falange Resenha | Baywatch: SOS Malibu

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Mãe SerpenteUm grupo de salva-vidas defende a costa da praia contra perigos diversos, desde ataques de animais selvagens até traficantes de drogas. Sem se importar com a interferência da polícia, ou com o risco de suas ações. Em todo momento, corpos sarados e seminus correm em câmera lenta na direção de mais um problema. Se SOS Malibu (Baywatch, 1989-1999) ainda tinha alguma chance de sobreviver na década de 90, hoje é impossível negar os problemas óbvios com o conceito de base do seriado. Como, então, transformar a franquia de drama e ação e um filme funcional? A solução de Baywatch: SOS Malibu, que chega hoje aos cinemas, foi mudar o gênero para a comédia. Mais do que isso, o filme constrói seu humor a partir da autocrítica, a melhor das escolhas possíveis.

Autorreferências

SOS Malibu aproveitou o clima dos anos 80 para justificar estórias, no mínimo, improváveis. Ao longo de dez temporsdas, o corajoso grupo de salva-vidas enfrentou ataques de animais marinhos, ladrões e até mesmo um serial killer. As coisas precisavam de menos justificativas naquela época, e o absurdo de salva-vidas tomando para si tarefas que deveriam ser de autoridades competentes não passa mais impune. Pelo menos não se levado a sério.

É aí que está o maior acerto de Baywatch. A trama segue o conflito de Mitch (The Rock) e sua equipe, quando um playboy chamado .Bieber. Matt chega à baía. Matt .Jonas Brother. precisa cumprir uma determinação judicial, e acredita que vigiar a praia como salva-vidas é um trabalho simples. O que ele encontra, no entanto, são explosões, assassinatos e investigações com disfarces. O absurdo da situação fica sempre em primeiro plano, já que Matt .High School Musical. questiona a autoridade de Mitch, se perguntando por que a Baywatch deveria ser responsável por esse tipo de situação.

Não só o conceito central do filme vira motivo de piada. O humor do filme é construído sobre referências constantes às caraterísticas clássicas de SOS Malibu. A corrida em câmera lenta, as roupas de banho desconfortáveis, os vilões caricatos. O único caminho possível para Baywatch é a comédia, e, ao criar uma sátira de si próprio, o filme consegue, ao mesmo tempo, rir do despropósito de SOS Malibu ao mesmo tempo em que reutiliza todos seus elementos. Essa estratégia, no entanto, não deve ecoar no público mais jovem, sem as referências das décadas de televisão que Baywatch satiriza. E o apelo ao sexo costuma agradar justamente esse público.

Sexo vende

Ninguém nega que boa parte do sucesso de SOS Malibu foi devido à presença de corpos sarados correndo em câmera lenta. Principalmente o corpo de Pamela Anderson. A série, desde o início, utiliza a erotização como forma de ampliar sua base se fãs. Esse aspecto também é retomado no filme. Roupas coladas e closes desnecessários de seios e bundas são intercalados com piadas de teor sexual. Isso contribui ainda mais para a posição satírica do filme. A inclusão de uma personagem fora dos padrões de beleza, Ronnie, também ajuda a explicitar como o desejo foi importante para a franquia. Além de permitir rir do peito peludo de David Hasselhoff, que deixou de ser exemplo de sex symbol há anos.

Sem músculos e pose de atleta, Ronnie (aqui com Matt e Mitch) é mais que o nerd da equipe, e não é rebaixado pelo seu físico. Uma abordagem interessante.

Fazer piadas com o corte absurdo do vestuário cria espaço para a crítica da sensualização. Ao mesmo tempo, para criticar, não se hesita em mostrar curvas e músculos. É a mesma estratégia, de retomar os mesmo recursos, deslizando os sentidos em direção ao humor. Funciona para justificar a classificação etária, para reforçar o uso da sensualidade de SOS Malibu e para criar espaço para cenas com genitálias explícitas em nome de algumas risadas. No geral, é para isso que Baywatch se constrói. Criar riso a partir de lugares comuns do humor.

Baywatch é bom?

Uma das dificuldades da crítica é a necessidade de colocar um filme em uma escala. Mas nem sempre isso é justo para indicar o valor de um filme. É por isso que a Falange não dá nota, baby.

Baywatch não é um filme surpreendente, inovador ou capaz de provocar reflexões. Mas nunca tenta ser. O objetivo declarado é retomar uma franquia de sucesso que terminou há quase vinte anos. Uma franquia voltada puramente para um entretenimento descompromissado. Baywatch cumpre bem com seu papel de ser um filme de entretenimento, e ainda merece a devida atenção pela solução metalinguística que encontrou para transformar o absurdo do SOS Malibu em um comédia. Não é um filme que fica com o espectador depois de seu fim. Mas como forma de se divertir, de se desligar da vida por duas horas e rir um pouco, Baywatch é excelente.

O humor de Baywatch não foge muito do que já é esperado do gênero. As os clichês são bem utilizados, e resgatam recursos já difíceis de ver, como erros de gravação mostrados durante os créditos.