Contagem da Mãe | 13 jogos para a sexta-feira 13

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Vinheta da Mãe SerpenteSaudações, falangeiras e falangeiros. Hoje, uma sexta-feira 13, é dia da Mãe Serpente falar de horror. Na superstição ocidental, esse é um dos piores dias que pode existir no ano, quando todas as forças do mal se potencializam, e espíritos e demônios vagam pelo mundo para trazer má sorte para todos os descuidados. É preciso redobrar a atenção a gatos pretos, escadas e espelhos quebrados. E, para fãs do horror, é um dia perfeito para ficar na frente da televisão e aproveitar os especiais de filmes de monstros e assassinatos que sempre passam nesse dias. Para melhorar sua sexta-feira 13, a Mãe preparou uma Contagem da Mãe especial, com 13 jogos de horror que merecem sua atenção. E, quem sabe, podem ajudar sua sexta-feira 13 a ficar ainda mais assustadora. Essa lista não possui uma ordem exata, e apenas contém 13 grandes títulos da história do horror, clássicos e contemporâneos. Preparados para sentir medo?

13 Jogos de Horror para uma sexta-feira 13

#1 | Enemy Zero

Alien – O Oitavo Passageiro (1979) é um clássico do horror e da ficção científica. O cenário é uma nave espacial cheia de corredores estreitos, e existe um monstro escondido nas sombras, pronto para matar qualquer um que encontrar em seu caminho. O filme foi um marco da cultura ocidental, e inspirou centenas de outros filmes, livros e até jogos. Um desses jogos foi Enemy Zero, lançado para o Sega Saturn em 1996. Não só Enemy Zero é o jogo mais assustador do Sega Saturn, mas ele serviu para inspirar… ruflem os tambores… Alien: Isolation, de 2014. O ciclo se completa! Enemy Zero tem como premissa uma nave espacial em que alienígenas mortíferos escapam de sua cela de contenção. O problema é que esses alienígenas são invisíveis. Para sobreviver, então, o jogador tem que utilizar um dispositivo sonoro que apita com maior frequência quanto mais perto o jogador se encontra de um inimigo. A sensação de ter um inimigo colado a você e não conseguir vê-lo é assustadora o suficiente. Mas a única arma do jogo precisa ser carregada antes de cada tiro. E não adianta apertar o botão de carregar o tempo todo, porque o excesso de carga faz com que a energia se dissipe, e um novo tiro precisa ser carregado. O combate, então, precisa ser friamente calculado, e muitas vezes é melhor fugir do que arriscar um tiro no vazio. Mesmo que seja desconhecido, Enemy Zero é um jogo de horror brilhante, que chegou a ganhar uma versão para computador. A Mãe aguarda ansiosa um remake; quem sabe em uma próxima sexta-feira 13.

#2 | The Last Door

A Mãe já falou um pouco de The Last Door (2013, The Game Kitchen) em uma edição da Décima Arte, aqui no site da Falange. O jogo indie é, sem dúvidas, uma das experiências mais assustadoras que a Mãe já teve. E isso com um gráfico pixelado em 8 bits, dentro de um jogo point and click em que é impossível morrer. Ainda assim, a narrativa de The Last Door, inspirada em Lovecraft, é extremamente perturbadora, e a música composta por Carlos Viola está entre as melhores trilhas sonoras originais já criadas. The Last Door sabe trabalhar o medo do desconhecido, tanto a partir de gráficos simples, mas que sugerem cenas grotescas, quanto pela edição de som, que mescla silêncio, música e sons perturbadores. É um jogo episódico, que já teve suas duas, e únicas, temporadas concluídas. É um jogo narrativo, sem combate, e toda a jogabilidade consiste em encontrar elementos no cenário para resolver puzzles. Mas mesmo que não exista combate, a Mãe recomenda que você dê uma chance a The Last Door. O primeiro capítulo da primeira temporada também está disponível como uma demo, e pode ser uma boa oportunidade de experimentar o jogo de forma descompromissada.

#3 | Clock Tower

Outro jogo das antigas. Clock Tower é um jogo de horror do Super Nintendo, lançado em 1995, e somente no Japão. Esse jogo é um dos primeiros survival horror já criados, antes mesmo de Resident Evil e Silent Hill. O jogo também é um point and click, como The Last Door, e também merece ser jogado por todos os fãs de horror. Na trama, uma menina orfã é adotada por uma família, junto de diversas outras crianças. Assim que chega na mansão Barrow, um assassino chamado Scissorman, ou Homem Tesoura mata uma das crianças órfãs, e é a partir daí que a protagoistaprecisa lutar porsua sobrevivência. Clock Tower é extremamente importante porque foi o primeiro jogo a utilizar a ideia de um único inimigo recorrente, o que seria popularizado depois de Resident Evil 3: Nemesis (1999, Capcom). Toda vez que encontra o Homem Tesoura, o jogo também entra em um modo de pânico especial, e a protagonista começa a tropeçar e ficar mais lenta, dependendo do quanto de vida o jogador tem naquele momento. Em cada encontro com o Homem Tesoura, é preciso encontrar formas de fugir e se esconder, e até mesmo utilizar armadilhas para atrasar o assassino. É um exemplo raro de um jogo adulto dentro de um videogame da Nintendo, mas que deu origem a uma série que logo mudaria de casa, para o Playstation, e hoje já pode ser encontrado também no Wii e Wii U. Não existem traduções oficiais fora do Japão. Mas existem jeitos de jogar Clock Tower.

#4 | Dead Space

Todos os jogos dessa lista, até agora, possuem cenários em que o protagonista não possui armas, ou tem um uso muito limitado de armas. Fugir é a forma mais eficiente de se defender nesses casos, e o perigo constante ajuda a criar o horror. Dead Space é diferente. Isaac Clark tem um arsenal à sua disposição enquanto navega pela nave espacial de mineração Ishimura. É claro que o arsenal é quase que inútil, já que a primeira arma é a mais eficiente do jogo. Mas, de qualquer maneira, o jogador pode destruir centenas de inimigos, e nenhum dos necromorfos ficará vivo ao final de uma gameplay. E mesmo assim Dead Space consegue criar a sensação de perigo constante. Isso porque os inimigos navegam livremente pelo sistema de dutos de ventilação, o que significa que um novo inimigo pode surgir, literalmente, em qualquer lugar da nave. Em jogos de survival horror, era comum, até então, que um corredor que foi limpo permanecesse assim. Em Dead Space, passar pelo mesmo lugar várias vezes preservar a mesma tensão inicial. Dead Space está disponível para Windows, PlayStation 3 e Xbox 360. Então é uma boa pedida para diferentes jogadores nessa sexta-feira 13.

#5 | Eternal Darkness: Sanity’s Requiem

Eternal Darkness é outra pérola do horror escondida em meio aos jogos fofinhos da Nintendo. O jogo foi lançado em 2002 para Gamecube, e infelizmente não teve nenhum relançamento até agora. E como a empresa que produziu o jogo foi à falência, a única forma de aproveitar Eternal Darkness é com emuladores. À primeira vista, Eternal Darkness é similar a um dos Resident Evil antigos: resolver puzzle, usar armas para matar monstros, achar seu caminho em uma mansão. Mas depois de algum tempo se percebe a genialidade de Eternal Darkness. Primeiro porque o jogo introduziu uma barra de sanidade. Essa barra verde diminui conforme o jogador testemunha cenas perturbadoras, e faz com que o cenário comece a mudar, com sangue escorrendo das paredes, ângulos de câmera estranhos e até mesmo a quebra da quarta parede. A segunda diferença é que Eternal Darkness possui uma divisão de fases; o jogador é transportado para um período histórico onde controla uma nova personagem. Isso faz com que doze personagens diferentes sejam jogáveis, cada um com acesso a habilidades específicas. Mais um excelente jogo de horror, que infelizmente não teve a atenção que merecia.

#6 | Until Dawn

Oito jovens decidem passar a noite em uma casa isolada nas montanhas, e são perseguidos por um assassino implacável. A estória já é conhecida por qualquer amante do terror. Until Dawn, um exclusivo do PlayStation 4, pega o conceito batido do cinema e transforma em uma experiência única. Ao longo do jogo, é possível controlar todos os oito personagens. E todas as escolhas que o jogador faz afetam a narrativa de Until Dawn. Cheio de cenas violentas, Until Dawn obriga o jogador a fazer escolhas difíceis, como quem salvar em uma situação de perigo. E existem tantas combinações possíveis de escolhas, que é possível terminar o jogo com todos os oito personagens vivos, ou com todos os oito mortos. Para quem gosta de armadilhas mirabolantes, e psicopatas sádicos, Until Dawn é essencial na coleção.

#7 | Resident Evil 7

Não poderia faltar um Resident Evil na lista. Mas foi difícil escolher qual dos jogos da franquia mais merecia a citação. Os três primeiros são clássicos. O quarto, apesar de um excelente jogo, não tem muito terror envolvido. Daí em diante foi uma descida vertiginosa para a série. Até Resident Evil 7 chegar. A perspectiva em primeira pessoa havia sido planejada para o primeiro jogo, no PlayStation 1, mas não havia recursos suficientes na época para concretizar o projeto. Resident Evil 7, no entanto, mostra o potencial de uma visão limitada para a construção do horror. Principalmente quando existe uma família de psicopatas atrás de você. Resident Evil 7 é um retorno da franquia ao survival horror, ao invés da ação. Além disso, possui gráficos de última geração. E é por isso que Resident Evil 7 é quem serve de exemplo para a franquia nessa lista.

#8 | Layers of Fear

Layers of Fear é um título indie recente, de 2016. É outra boa pedida para essa sexta-feira 13, já que está disponível em todas as plataformas mais recentes de videogames. É um jogo de exploração em primeira pessoa, em que o jogador controla um pintor, que precisa terminar sua maior obra. Como jogos do gênero, é necessário encontrar objetos escondidos e resolver puzzles. Mas quanto mais o jogador avança na narrativa, mais descobre sobre os segredos sinistros do pintor e da obra. E a casa que serve de cenário muda para refletir as novas descobertas. O cenário se torna cada vez mais angustiante, e esse é o maior mérito de Layers of Fear: utilizar poucos recursos, e um único grande cenário, que é reinventado para dar variedade à jogabilidade e servir de construção para a narrativa.

#9 | Dino Crisis

É uma pena que o primeiro Dino Crisis não tenha sido um sucesso comercial, o que obrigou os desenvolvedores a fazerem uma continuação focada em ação desenfreada. Quem jogou Dino Crisis 2, e matou centenas de dinossauros para conseguir pontos mais altos, não imagina que a série surgiu como um survival horror. O primeiro Dino Crisis utiliza a fórmula de Resident Evil, mas em um cenário em que os inimigos são dinossauros, e não zumbis. isso resulta em um conceito inovador. Os encontros com os dinossauros são raros e inesperados, e isso torna cada batalha um momento único de tensão. O jogo é original do PlayStation 1, mas possui também uma versão para computadores. Dino Crisis é um horror único, e merece ser jogado, não só nessa sexta-feira 13, mas sempre.

#10 | Amnesia: The Dark Descent

O mercado está cheio de jogos em primeira pessoa em que o protagonista não possui armas e precisa se esconder. A série Outlast é o maior sucesso recente do gênero. Mas a popularização desse estilo de jogo de horror começou em 2010, com um jogo chamado Amnesia: The Dark Descent. No jogo, o protagonista Daniel acorda em um castelo, sem nenhuma memória de si próprio. Existem criaturas nesse castelo, e, sem nenhuma possibilidade de se defender, Daniel começa a fugir pelos corredores, procurando uma saída. E o caminho é sempre para baixo. Amnesia possui uma narrativa extremamente interessante, em que o jogador descobre junto do protagonista quais foram os eventos que o levaram ao castelo. Além disso, em 2010, a sensação de perigo constante desse jogos ainda não tinha sido superutilizada a ponto de se tornar banal.

#11 | The Evil Within

Antes de Resident Evil 7, The Evil Within foi a promessa do retorno dos anos dourados do survival horror. E em grande parte, o jogo conseguiu ser um sucesso. Apesar de um final pouco gratificante, The Evil Within criou criaturas e cenas que trazem algo de novo ao gênero, ao mesmo tempo que fazem uma homenagem a figuras clássicas, como ao Pyramid Head de Silent Hill 2.  Os combates muitas vezes são desequilibrados, mas a dificuldade geral ajuda a simular a necessidade de sobrevivência. E como Evil Within 2 saiu hoje, fica também a esperança de que os produtores tenham aprendido com seus erros, para entregar uma experiência ainda melhor.

#12 | Silent Hill 2

Já que citamos Pyramid Head, não poderíamos deixar de mencionar Silent Hill 2, o mais clássico da franquia. Melhorando tudo o que o primeiro jogo havia feito, Silent Hill 2 é uma experiência única de horror. Para quem não conhece o clássico do PlayStation 1, foi esse jogo que criou um dos vilões mais icônicos dos videogames, além de consolidar Silent Hill como uma franquia de horror, daquelas que têm muitas continuações ruins. É uma pena que P.T. não se tornou em um projeto real, depois da briga com a Konami e Kojima. Com Guilhermo del Toro e Norman Reedus no projeto, o novo Silent Hill tinha o potencial de ser melhor que Silent Hill 2.

#13 | Haunting Ground

O último jogo dessa lista não é particularmente bom em muitos aspectos. Haunting Ground, um exclusivo do PlayStation 2, reutiliza muitos elementos de outros jogos para ser particularmente original. Temos uma menina indefesa, que precisa percorrer um cenário cheio de monstros. A única diferença de Haunting Ground de outros jogos do gênero, em termos de gameplay, é a adição de um cachorro como companheiro. O cachorro recebe comandos do jogador, e auxilia a protagonista, Fiona, a percorrer os cenários do castelo em segurança. Por que, então Haunting Ground conclui essa lista? Porque a temática de Haunting Ground é única. Os inimigos que Fiona encontra pelo castelo constantemente sexualizam a jovem; alguns desejam seu corpo, outros têm inveja dele. O maior mérito de Haunting Ground, ao explorar a sexualidade, é fazer com que o jogador sinta medo, a todo instante, por ser um corpo desejável. Essa é uma perspectiva extremamente interessante, que serve de metáfora para a situação comum de mulheres na sociedade. Por isso, apesar de problemas de gameplay, Hauting Ground também é uma indicação para essa sexta-feira 13.

Essa foi mais uma Contagem da Mãe. Não deixe de se inscrever no canal de YouTube da Falange para receber as novidades em primeira mão, e não deixe de visitar nosso site para resenhas completas de games. Até nosso próximo vídeo, ou nosso próximo texto, fiquem com uma sonora e sibilante saudação, da Mãe Serpente.