Contagem da Mãe | As 7 melhores expansões de videogames

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Mãe SerpenteSaudações, falangeiras e falangeiros, aqui quem fala é a Mãe Serpente. E hoje a Mãe está passando pelo YouTube da Falange para lançar uma nova série de vídeo: Contagem da Mãe. Não tem muito segredo no nome. Nessa série a Mãe vai falar de suas impressões sobre os melhores, e piores, recursos dos videogames, videogames de um determinado estilo, acontecimentos da indústria. Enfim, o que pintar de ideia. E nessa primeira edição, aproveitando que War of the Chosen saiu semana passada, a Mãe vai falar das melhores expansões do mundo dos games.

Contagem da Mãe | As 7 Melhores Expansões dos Videogames

Foi até fácil de escolher as sete expansões favoritas da Mãe. Desde que inventaram os DLCs, conteúdo adicional para videogames virou uma roupa nova por 10 reais, com pouca ou nenhuma mudança nos jogos de base. Mas as expansões dessa contagem realmente oferecem conteúdo extra, e por isso devem sempre ser lembradas. Além do vídeo no YouTube, você pode ler a transcrição completa da Contagem da Mãe logo abaixo.

7 | XCOM: Enemy Within

X-COM, com hífen, é uma série clássica de jogos de estratégia, que começou em 1993. Julian Gollop é o gênio por trás dessas pérolas. Os jogos são excelentes, e extremamente difíceis. Mas em poucos anos envelheceram muito, por conta da mudança extremamente acelerada nos recursos de videogame que aconteceu em pouco tempo. Foi por isso que, em 2012, um estúdio chamado Firaxis decidiu fazer um reboot, e lançou seu próprio jogo XCOM, sem hífen. Combate preciso por turnos, necessidade de manejar recursos com cuidado, a possibilidade de perder por completo o jogo se muitas escolhas erradas se acumulavam… o Enemy Unknown é lindo, e um dos melhores jogos de estratégia lançados na última década. Parecia um jogo praticamente perfeito. Isso até a Firaxis lançar um pacote de expansão em 2013 chamado Enemy Within.

Com a expansão, um novo recurso precisa ser controlado pelo jogador, e soldados podem ser modificados para receber implantes alienígenas ou melhoramentos robóticos. A base de operações, que antes era segura, pode ser atacada pelo inimigo. Novos alienígenas foram introduzidos, assim como humanos que decidiram se aliar às forças invasoras. E mais 47 mapas além dos 80 originais. Enemy Within é uma das poucas expansões que merecem realmente esse título. Enemy Within avança tanto o jogo original que Enemy Unknown parece somente um tutorial de vinte horas. Agora é hora de jogar de verdade.

6 | Undead Nightmare

Não existe muita discussão quanto a Red Dead Redemption (2010) ser a melhor aventura de Velho Oeste já lançada em videogames. Não é à toa que o anúncio de Red Dead Redemption 2 esse ano trouxe a alegria para o coração frio de milhões de pessoas, sem notícias de um novo jogo da franquia há sete anos. Mas além de um universo detalhado, personagens bem escritas e uma estória maravilhosa, Red Dead Redemption tinha algo a mais para se destacar de outros jogos do gênero: um modo zumbi.

Undead Nightmare (2010) foi lançado inicialmente como uma expansão, e fez tanto sucesso que passou a ser vendido como um jogo próprio. Undead Nightmare não é a adição de um novo tipo de inimigo ao Velho Oeste. A estória toda é modificada nesse modo. O protagonista, John Marston, agora precisa encontrar uma cura para o vírus zumbi, antes que sua família seja infectada. E velhos inimigos, que morrem na narrativa principal, voltam dos mortos para atormentar o jogador. Os animais selvagens também são infectados na expansão, e até as missões secundárias são novas. O jogo todo é reconstruído do zero, com uma nova trama, mesmo que os recursos básicos do sistema de combate e do mundo permaneça igual. Foi uma maneira extremamente criativa da Rockstar aumentar ainda mais o amor dos fãs por um dos melhores jogo já criados.

5 | New Super Luigi U

O Wii U foi um console com poucos jogos significativos. Um desses jogos é New Super Mario Bros. U (2012). A fórmula clássica do Mario 2D, de percorrer uma fase e chegar até uma bandeira, ganhou recursos inéditos com o gamepad do Wii U. A caneta, por exemplo, é capaz de desenhar plataformas na tela tátil. E o jogo pode ser jogado inteiramente no gamepad, sem uma televisão. Mario tem novos power ups, as fases muitas vezes têm mais de uma saída, que nem no Super Mario World de Super Nintendo. O jogo é excelente por si. Mas em 2013, um dos poucos DLCs da história da Nintendo foi lançado, para comemorar o Ano de Luigi.

O aniversário de 30 anos do encanador verde rendeu um ano de festa, com novos jogos solo, como Luigi’s Mansion: Dark Moon. New Super Luigi U modificou as fases, para que a habilidade de pular mais alto de Luigi tivesse que ser utilizada. As fases também têm menos tempo para serem finalizadas, e exigem mais coordenação do jogador. É uma aventura mais curta que o jogo original, mas com certeza mais difícil. Um desafio para quem gosta dos jogos mais clássicos de Mario, e uma excelente homenagem para Luigi.

4 | The Old Hunters

A From Software mudou a forma como jogos são produzidos. Em menor escala com Demon’s Souls, em 2009, e de forma definitiva com Dark Souls, em 2011. O jeito único de construir narrativas, e envolver jogadores da série Souls, passou a ser copiado à exaustão. E Dark Souls virou uma régua para medir jogos utilizada por críticos preguiçosos. É sério, recentemente compararam até Crash Bandicoot a Dark Souls. Mas ninguém melhor para copiar a fórmula de Dark Souls que a própria From Software. E Bloodborne (2015) mostra o que pode ser alcançado quando se utiliza um material excelente como inspiração. Ao invés de tentar copiar a jogabilidade, Bloodborne cria um universo próprio, com recursos novos, e se assemelha mais à série Souls pela forma que constrói sua narrativa, pela dificuldade, e por batalhas contra mestres colossais. Como melhorar a experiência? Fazendo o que os outros jogos do estúdio já haviam feito: lançar uma expansão com novos locais para explorar, armas novas, e mestres ainda mais difíceis para derrotar. Tudo com novos pedaços da estória do universo, que mudam a forma como o jogador enxerga os acontecimentos do jogo principal.

Foi uma escolha difícil para a Mãe, já que Artorias of the Abyss (2012), a expansão de Dark Souls 1, abriu o precedente para todos os DLCs de jogos similares. Mas The Old Hunters (2015) é o ápice dos DLCs da FromSoftware. A expansão é grande, tem cinco novos mestres, e todos os mestres representam batalhas extremamente desafiadores e significativas para a compreensão do mundo de Bloodborne. Uma expansão essencial para fãs da franquia.

3 | Specter of Torment

O jogo indie que melhor entendeu o conceito de expansões é, sem nenhuma dúvida, Shovel Knight (2014). Durante a campanha de Kickstarter do jogo, a Yacht Club prometeu que inimigos do jogo principal se tornariam personagens jogáveis. E depois de atestar que Shovel Knight é um dos melhores jogos de plataforma desde sempre, a ideia de novas personagens jogáveis pareceu mais animadora. Mas a Mãe tem certeza de que ninguém esperava que as novas personagens viessem com jogos próprios, completos, capazes de se sustentar por conta própria. A primeira dessas expansões, Plague of Shadows (2015), ainda foi tímida na proposta. Existia um hub próprio, e a narrativa era diferente, e complementava a narrativa do jogo original. Mas as fases e mestres eram extremamente parecidos, com pequenas alterações, para se adequarem às habilidades do novo protagonista.

Com Specter of Torment (2017), as coisas realmente mudaram. A estória do jogo é ainda mais emocionante do que no original, as fases foram completamente redesenhadas, apesar de manterem o tema original, e as novas mecânicas de gameplay são fluidas e responsivas. Até mesmo os mestres sofrem modificações drásticas, e tornam a experiência única mesmo para os fãs mais fervorosos de Shovel Knight. Specter of Torment é uma das melhores expansões já criadas, e ainda existe mais uma expansão de Shovel Knight a caminho: King of Cards. Mas a terceira, e última, expansão da série só chega em 2018, infelizmente.

2 | Blood and Wine

Não existe nenhum jogador que goste de RPGs e não conheça a série Witcher. Os dois primeiros jogos possuem inúmeros problemas de jogabilidade, o primeiro principalmente. Mas o terceiro… o terceiro é uma obra prima, um testamento para o potencial dos videogames. The Witcher 3 tem um mundo aberto colossal, recheado de acontecimentos que tornam cada canto do continente vivo, e cheio de desafios para o jogador. Isso tudo com a ambiguidade moral do universo possibilitando escolhas múltiplas ao jogador, e reviravoltas na trama de tirar o fôlego. Mas os desenvolvedores parece que não estavam satisfeitos com o tamanho do jogo. E só uma das expansões de Witcher 3 é maior do que a maior parte dos videogames já criados.

Blood and Wine acrescenta um novo território, tão vivo e cheio de detalhes quanto as áreas do jogo principal. E nesse território, Geralt precisa resolver um novo grande conflito. Um conflito gigante, já que só a estória principal precisa de pelo menos 15 horas para ser concluída. Acrescente missões paralelas, e você pode contar com um mínimo de 30 horas de jogo. 40 dependendo do quanto você queira apreciar cada detalhe. Considerando que Blood and Wine saiu ano passado, e que cada vez mais os DLCs são caros e possuem pouco conteúdo, é ainda mais surpreendente que a CD Projekt tenha lançado uma expansão tão impactante.

1 | The Frozen Throne

Pelo benefício da diversidade, a Mãe não quis colocar mais de um jogo da mesma franquia nessa lista. E nem mais de um jogo da mesma desenvolvedora. A Blizzard tornou essa tarefa complicada. Os grandes clássicos da Blizzard têm também algumas das melhores expansões já criadas. Brood War (1998), do primeiro StarCraft (1998), merecia um lugar no pódio. Legacy of the Void (2015), de StarCraft II (2007) também. Ou quem sabe Lord of Destruction (2001), de Diablo 2 (2000)… Mas, existe uma expansão da Blizzard que abriu caminho para todo um novo gênero de jogos, e é por isso que The Frozen Throne (2003) ganha o primeiro lugar dessa Contagem da Mãe.

The Frozen Throne é mais do que uma expansão de Warcraft 3 (2002). Primeiro, The Frozen Throne dobra o tamanho de campanha do jogo original. The Frozen Throne também acrescenta uma nova raça, novas unidades para raças já existentes, novos itens e novos heróis. Ou seja, reformula por completo o modo competitivo do jogo. E é a partir de The Frozen Throne que Dota foi desenvolvido. Essa expansão é responsável, então, pela existência dos MOBAs, o que, por sua vez, ajudou a popularizar o e-sport. Tudo isso com uma narrativa impecável, animações emocionantes, e um fator replay gigante. Warcraft 3 continua sendo um dos melhores jogos de estratégia em tempo real já criados, envelheceu bem o suficiente para ainda ser jogado, e sua expansão, na análise da Mãe, é a maior e mais significativa das expansões já lançadas.

Essa foi a Contagem da Mãe. Se você gostou do vídeo, toda curtida é uma forma de valorizar nosso trabalho. E não deixe de se inscrever no canal de YouTube da Falange para receber as atualizações em primeira mão. Até nosso próximo texto ou vídeo, fiquem com uma sonora e sibilante saudação da Mãe Serpente.

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Crítico de videogames, observador atento da cultura pop, viajante extraplanar e conhecedor das artes ocultas. Um membro da Falange.